sábado, 21 de abril de 2007

rivotorto
a ricardo pozzo

tua loucura
é calculada
como
um poste
de luz.
teus coturnos
de não pisar
os mortos.
sobre
os ombros
agüentas
uma igreja
– devotada
a tudo
(e a tudo)
o que está
fora dela:
a catequese
da carne,
a língua álacre,
o ázimo
de estilhaços.
e na assinatura
das madrugadas,
sabes que
a mão
do assassino
é a mão
do pedinte.
caminhas
delicada-
mente
o eremitério
das ruas:
o corpo
da amante,
os cacos
de garrafas,
o gesto
do derrotado.
tingidos do lado
da flor,
os ossos
de cera de vela,
teu hábito
de alcatrão.

tua alma,
amigo,
é uma bandeira
despregada

Rodrigo Madeira

3 comentários:

marilia disse...

voilà, o trabalho da forma. "o discurso é velho, não a forma de dizê-lo". o que isto quer dizer acho enigmático. mas cada vez mais concordo, os criticos têm bons olhos e ouvidos. para a gente ir pra frente, se não ficar ouvindo apenas a concha.

Etel disse...

Afe!

rodrigo madeira disse...

marília, não entendi nada do vc escreveu neste post!