sábado, 21 de outubro de 2017

Inspiração em Pó.



Quem busca inspirações nos labirintos do umbral,
Cantará canções ao mal desafiando o Criador,
Buscando o prazer carnal que a própria vida abomina,
Beijando os lábios da morte numa carreirinha fina;
Vendo no vidro a máscara que a própria morte pintou.

Quem busca por artifícios mudar a vida que tem,
Não tendo tempo sequer para o arrependimento,
Mentindo para si mesmo pregando que é feliz;
Anestesiando o corpo para qualquer sentimento...
O coração no esquecimento só se lembra do nariz.

Tantos seres que ainda sofrem tentando sobreviver,
Paralela outra corrida de quem debocha da sorte,
Uns aspiram tubos de oxigênio tentando buscar a vida;
Outros que são entubados a guisa da despedida...
E tantos jovens sadios aspirando o pó da morte.

Num futuro não tão longe quem sabe até se construa,
Cemitério especial para quem vem se matando,
Sem velório, vela, ou choro, sem nenhuma extrema-unção,
Somente a última dose, a saideira da vida...
E o defunto vai andando sem precisar de caixão.


José Tavares      28 de maio de 2011 21:37

O BEIJO


um silêncio súbito,
carregado de cigarras,
fez-se no mundo.



 De Ana Mariano

domingo, 1 de outubro de 2017


Nas mãos do mar
a linha do horizonte tem cerol
lá, a pipa do céu cai mais depressa
quando as margens da tarde me anoitecem.



 Wender Montenegro    

NEURA


De vagar
estou vago.

Intenso
& só.

No tenso team
dos ocupados.

Em feedback
infindável.




 Ricardo Mainieri            

               



"infinito"


era preciso
aceitar o
fim do amor: claro,
a essa altura, ( e a vida
traduzida era
pura ilusão) tudo tudo
tudo tudo tudo
mera quimera, mágica
perdida, loucura...
era preciso
acatar o
instante raro,
aquele que
dizem haver, aquela
volta por cima.
era preciso
secar a
alma para
entender o agora...
deixar
a porta aberta.



Adriano Nunes 

Sem Sensura



Os meus colegas já bebem,
o meu mano já fica com umas minas,
mas dizem que para mim,
ainda é cedo demais.

Qual será a idade certa para experimentar
as proibições que jamais deixarão
a lista negra de meus pais!?
Todos sabem soletrar: N-Ã-O,
quem será capaz de dizer sim!

Na escola, meu professor
me diz ser proibido passar
bilhete confidencial,
ficar no recreio após o sinal.

Qual será a idade certa para experimentar
as proibições que jamais deixarão
a lista negra escolar!?
Todos sabem soletrar: N-Ã-O,
quem será capaz de dizer sim!

Meu rosto vermelho queima de raiva,
eu quero lutar de verdade
pelas coisas que acredito,
não pelas que escuto por aí
estampadas em outdoors, comerciais.

A esperança não está em andar
por lindos campos com mais flores,
mas o que a gente faz
ao se sentir com mais vida.
Todos sabem gritar: O-R-D-E-M,
quem terá coragem de lutar pelo Progresso!

Meu rosto vermelho queima de raiva,
eu quero lutar de verdade
pelas coisas que acredito,
não pelas que escuto por aí
estampadas em programas, jornais.

A esperança não está em andar
por lindos campos com mais flores,
mas o que a gente faz
ao se sentir com mais vida.
Todos sabem gritar: O-R-D-E-M,
quem terá coragem de lutar pelo Progresso!

Qual será a idade certa para experimentar
as proibições que jamais deixarão
a lista negra de coisas que não se faz!?

Qual será a idade certa para experimentar
as proibições que jamais deixarão
a lista negra que a minha própria mão fez!?

by Zi
penso no poema
a ser dito
tantos
opacos distantes intensos
reflito o quanto
é preciso ser grito


Soninha Porto

Sorrisos entre medos e tempestas
As sombras de um passado virulento
Penetram num completo desalento
Adentram velhas salas, toscas frestas,

E quando aquém da vida tu te empestas,
No encontro tão venal quanto sangrento
Ao menos esperança; ainda tento,
E sei que temporais apenas gestas,

Parindo esta temível farsa exposta
Na imagem tantas vezes decomposta
De quem se fez audaz, mas não resiste,

E o mundo se perdera num vazio
Enquanto a fantasia que recrio
Expressa este cenário amargo e triste...





 Marcos Loures  

sábado, 30 de setembro de 2017

faxina na alma.


Lagrimar
no denso
ou no deserto

dor da lágrima
pálpebra abaixo

sentimentos

e
s
c
o
a
m

sem censura



Ricardo Mainieri            


Pescando as esperanças neste rio,
As curvas do caminho são fatais,
Os dias na verdade nunca mais,
O tempo se anuncia mais sombrio.

E quando, sem sentido eu desafio
O tanto que decerto agora trais,
Nas lutas, os anseios tão venais,
E o canto nalgum canto, ledo e frio.

Porém o que virá nem mesmo sei,
O quanto nesta vida desejei
Nem mesmo uma ilusão me diz aonde.

Pescando neste rio, o que virá?
Do ledo sofrimento ao bom maná.

Somente o próprio anzol ora responde...

Marcos Loures

Silogismo poético


Somos um conjunto
de premissas

Feixe de contradições.

Antíteses em busca
de uma síntese.



Ricardo Mainieri             


o vento rubro
um perfume de rosa
pétalas voam


(Cristina Desouza)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

POETA É UMA MERDA!



Tem certas palavras
que vivem de “foder” o juízo!
Devoram entranhas,
matam aos pouquinhos.

A palavra inquietude é uma merda!
Devorou parte do meu fígado,
parte do pâncreas, o baço
e um pedaço do intestino.

Fez com que eu “descomesse”
palavras e significados,
tudo misturado numa massa pastosa,
que alguns chamam de verso.

Pior do que ela,
só a palavra amargura,
Lembra coisa pesada,
e de solidez cristalizada,
em nódulos, abscessos...
Faz adormecer pedra
e acordar depressão.

Poeta é uma merda!
Ou vive da inquietude,
ou morre de solidão.



 NALDOVELHO

MEU VÍCIO




Viciado em lamber madrugadas,
principalmente as insones,
fico todo excitado,
dano de falar bobagens,
e quando percebo:
escrevo um poema.
Mais uma ou duas lambidas,
e escrevo outra vez...



Amanheço remelento de versos.

Pura insensatez!




NALDOVELHO

MEUS RINCÕES



Longínquos os rincões onde esperança
Firmou seu pensamento em noite clara,
E quando o grande amor já se declara,
A vida, sem ter freios sempre avança.

Levando na guaiaca esta lembrança
Da prenda mais bonita, jóia rara,
A minha montaria que me ampara,
Aos longes das coxilhas sonhos lança.

E pego mil estrelas com as mãos,
Os dias que vivera todos vãos,
Agora são promessas de alegria.

Viver cada momento inesquecível,
Tornando o imaginário mais plausível,

Num mundo mais perfeito que se cria...

Marcos Loures

GENTE ENLUARADA


Gente enluarada
gosta de viajar nas funduras,
tem mania de desentranhar coisas
do seu e de muitos umbigos
e costuma ficar ruminando o silêncio
até ter dele seus significados.

Gente enluarada
tem os olhos marejados pela nostalgia
das escolhas que não foi capaz de fazer,
da saudade que não consegue esconder
e das madrugadas encharcadas
de solidão e orvalho.

Gente enluarada
precisa conviver com as águas
e traz nas mãos sementes de faz de conta,
macera palavras noite e dia,
só para poder contar histórias,
embaraçar enredos, resgatar memórias.

Gente enluarada
costuma ter vida sofrida,
mas consegue sempre sobreviver à ruína
e de portas e janelas escancaradas
constrói a cada dia um sonho,
coisa mais linda de se ver!


NALDOVELHO

domingo, 16 de julho de 2017

AS ABORDAGENS



A uma lanchonete pequena cheguei, cumprimentei as poucas pessoas que estavam lá, pedi uma cerveja e como já conhecia alguns iniciei um bom bate-papo.
Pouco tempo passado, eu ainda na primeira garrafa, chegaram dois fardados que entraram, olharam nossa cara, os cantos do estabelecimento e embaixo da mesa de sinuca localizada no centro daquele espaço. Saíram sem nada perguntar ou dizer, mas, com cara de poucos amigos. O silêncio que tinha tomado conta do ambiente começou a se dissipar.
Dois rapazes que estavam mais próximos ao portão da lanchonete foram para fora e andaram até a curva da esquina, olhando para onde tinham ido, e de onde vieram os dois fardados.
Retornaram rápido sob meu olhar e dos amigos que estavam perto de mim. Disseram apenas: estão voltando, e se sentaram de novo, onde estavam.
Chegaram os dois fardados e mais outros três com armas em punho, direcionadas a nossas cabeças, gritando: mãos na parede, abram as pernas vagabundos:
- Tem alguém armado?
- Você neguinho, tem passagem? - (não se tratava de passagem de ônibus para os desinformados e afortunados por nunca terem ouvido isso com a gentileza costumeira).
Coturnos encontrando tornozelos, como fazem os zagueirões pra defesa dos goleiros... no meio do campo, com a força dada por Deus.
Uns aiai, senhor..., outros gemidos..., uma perna solta na tentativa de aliviar o impacto foi percebida. O dono dela recebeu um gancho na costela. A geral foi dada entre o medo e terror do que poderia nos acontecer. Esculacho..., seria o de menos. Infelizmente já vimos e vivemos coisas piores, em outras ocasiões como esta.
Passada aquela ação truculenta, alguns foram embora, sentindo falta de dignidade e um com costela quebrada, mas..., vivos.
Calejado após muitas luas, pedi outra cerveja, porque, a primeira tinha esquentado. O dono da lanchonete me atendeu e pediu desculpas, como se ele fosse o culpado daquele tratamento. Eu disse a ele para ficar tranquilo, que estava tudo bem, mesmo sabendo que aquilo não era natural, apesar de ser normal em todas as periferias, pois somos apresentados cedo àqueles tipos de profissionais do estado.
O bate papo reiniciou com lamentações, mas, bola pra frente..., e massagem nas canelas.
Um tiozinho chegou e logo foi desafiando todos, a uma disputa na sinuca, mas, em melhor de três. Claro que arrumou um oponente e o clima começou a melhorar. Com isso desceram mais cervejas, conhaques, rabo-de galo, amendoins...
Palpites começaram a surgir como se o Rui Chapéu, estivesse ali, instruindo um aluno, fazendo sempre um dos jogadores ficar com raiva, enquanto o outro sorri. Minha cerva era a terceira.
Já tinha dado algumas risadas também, afinal tinha sido pra isso que fui à lanchonete..., bater papo, tomar uma gelada e me divertir, principalmente, com a derrota dos times de futebol..., dos outros, mas, como tem dias que parecem noites..., dobraram à esquina outros homens fardados. Alguns deles a pé, e alguns a cavalo. Os cavaleiros ficaram em frente à lanchonete, apostos, os outros entraram, com armas à mão, mas, apenas dois deles, sendo que não tinham nossas cabeças como alvo.
O que entrou primeiro pediu os documentos e verificou um por um, com outro fardado ao lado, que tinha uma metralhadora niquelada em punho, mas, mantinha um olhar tranquilo.
Chegando minha vez, ao se aproximarem entreguei a identidade que conferiram e um deles perguntou de quem era a mochila sobre a mesa. Respondi que era minha. Ele pediu para abrir os zíperes e olhou todo o interior. Esticou a mão, pegou um objeto que estava no fundo e perguntou:
- Isso aqui e do seu filho?
Respondi que não, que aquele objeto era meu. Tinha comprado de um artista de rua. Um artesão que faz lindas obras de arte com alicate e arames. (Era uma aranha com o dorso de pedra vermelha).
Ele pediu para fechar a mochila e foi se afastando com a aranha metálica na mão. O guarda-costas dele, sempre ao lado. Chegando à porta da lanchonete, retornou a minha direção, esticou a mão sorrindo e me devolveu a aranha metálica.
Saíram, ele, os cavaleiros que estavam do lado de fora, o guarda costa e os outros fardados, tranquilamente, nos deixando com a mesma paz que estávamos, antes da chegada deles. Fizeram o trabalho que tinham a fazer e nos desejaram, boa noite. Todos desejamos o mesmo.
Existem fardados que se orgulham de servir, proteger e fazer corretamente, o que escolheram de oficio. A eles, todos os cidadãos de bem, desejam as bênçãos de Deus.

Marcio Gleide Nunes dos Santos
Curitiba-PR 16/07/2017

Revisor: Olinto Simões


domingo, 9 de julho de 2017

Procuro no esgoto um quilate de ouro.Não esgoto nenhum sonho que bate à porta até cair.
D'outro lado o lodo revela o peso d'uma morada de sórdidos escombros a morder
um'alma moribunda.
Procuro no esgoto o sol de um olhar que não seja de abismo tal qual este cá que estou a cair.
Quilate d'ouro está no dente dos meus dias.



Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, 30 de junho de 2017

“Paizinho”...!?


-Sim “mãezinha” ?!

-Vamos fazer um “incestozinho”?!

Com esse tempero o casal transou como não desde o momento em que ela dera a Luz, jazem lustros.Os gritos da mulher acordaram o filho que assustado,subiu para socorrer sua mãezinha;assim que se deparou ,emudeceu,correu até um cinzeiro no criado mudo e estava prestes a bater na cabeça do peludo que a estava machucando quando ela gritou o nome do menino e o pai virou-se ; recebeu o golpe na fronte e desmaiou .O menor ficou desesperado e chorava convulsivamente "papai,pai..."A mulher transtornada ,colérica urrava enquanto cobria-se e pegava a pesada cinta que vergastava com a fivela as costas do "parricida"."Você não é meu filho, aberração,não pode ter saído de mim,monstro!"Contudo não demorou de se cansar de bater e, agarrou aquela trouxinha humana largando-o dentro de um orfanato.O corpo da criança chorava o que seus olhos fundos já recusavam.

Quando ela voltou pra casa quase morreu ao ver o marido de pé ; sofrera apenas um desmaio ocasionado pelo esforço anterior e o susto de ver o filho pronto a agredi-lo, quanto a sangueira toda, o pivetinho acertara uma veia,já tratou (era médico ) .Agora sentia seu útero rasgar pelo que tinha dito e feito ao seu único filho, enquanto o pai perguntava onde o molequinho tinha se escondido, ele procuraria uma maneira de explicar que não estava "machucando " sua mãe.

Desesperada contou para ele o que tinha feito com seu primogênito .Levantou a mão para bater nela ,mas a trouxe para junto de si e entre os seus braços procurou confortá-la.


Foram ao orfanato.Manhã cinzenta ofegando fumaça.Bateu no portão o pai explicou a freira o ocorrido.Entraram no quarto onde a criança estava .Com os olhos afogados ,com as mãos vermelhas com róseas gotas de suor ela implorava balbuciando perdão para o filhinho que afirmava "Essa não é minha mãe , meu pai morreu ".

(O que uma mãe teria feito nessas circunstâncias ? )Seu peito sangrava , a dor era tanta que era ficara cega por alguns momentos ,dilacerada.O marido a carregou para fora daquele lugar.sem saber se um dia aquela fina lâmina cortara os laços de sangue.O garoto aceitara a 'orfandade " sem pesar.

Quando seus pais iam sendo engolfados pela névoa e o portão a se fechar...Jogou-se do leito para o chão e não sentiu mais nenhuma dor correu , correu atrás daquela possibilidade."ser adotado por uma nova Família " .

Wilson Roberto Nogueira

O filho de 22 anos do policial aposentado, foi surpreendido por uma saraivada de balas; morto por policiais. Filhos talvez de ex-colegas de seu pai. Ele, o elemento ,preparava-se para assaltar um empresário estrangeiro ,que despreocupado passeava com a amante no parque pouco iluminado. A polícia descobriu por intermédio de informante,o qual cobrara pela delação uma pedra de crack. O pai convalescente da químio aguarda para morrer.Tem pressa para inquirir o filho. Onde eu errei !





Wilson Roberto Nogueira
O PM verificou o pente e o encontrou sem balas.Queria provar seu amor incondicional a amante.Ele a levou ao motel.Depois das preliminares,sacou a arma e disse que ia provar o quanto a amava.A bala estava na agulha.



Wilson Roberto Nogueira
Estava a caminhar. A sola apaixonou-se pelo asfalto,
grudou nele como que a beijá-lo, e, seu dono lá de cima,pensou:


"tenho o que comer no almoço, que belo filé!"




Wilson Roberto Nogueira
Ela estava no supermercado e lhe perguntou se ele lembrava daquela música...


Absorto em seus pensamentos não respondeu; recordava que Anna outro dia insinuara para assistirem a uma película.Sutil convite desconversado por seu bolso vazio e orgulhoso.Puxando o carrinho conduzia para mais uma escada longe do coração dela,o qual resfriava-se à porta de saída, com um pé a sair e outro com pena de si por ter perdido tanto tempo.




Wilson Roberto Nogueira
No denso lençol de água


ele foi tragado para o útero da Rua dos Chorões.

Dia cinzelando lagrimas em Curita.

Wilson Roberto Nogueira

Afogados na Cidade 
Na calçada ao lado da sua companheira de trabalho o motoboy é assistido por algumas pessoas.



Em volta, como velas humanas de devoção a banalidade.



"A ambulância virá em um minutinho".



"Você chamou ?".



"Não , a bateria do meu cel acabou. ".



"Bom, pelo jeito ele pode esperar."



"Você sabe,eles não tem responsabilidade, um dia isso tinha que acontecer mesmo a um deles".



"Vai ver mereceu"



"Deus do céu,não fale assim !".



"E eu aqui no chão tenho que ouvir isso, e ninguém me escuta !"



Chega a ambulância e partem todos, menos o morto que partira antes ou estavam todos ;voltando a suas casas como fantasmas sem lançar sombras aos passos .



Wilson Roberto Nogueira


Feliz ano novo Quim querido !
Joaquim olhou no fundo dos olhos de Maria e disse "Não me lembro, quem é você?"
A moça virou-se e foi embora dizendo baixinho,com o sal de sua alma "quinzinho...".
Ela vivia em sua memória e seria eterna enquanto ele vivesse, enquanto ele vivesse.
Viver já não vivia e para fazê-la viver sua própria vida decidiu matá-la na memória
Arrastava sua existência de bar em bar e a encontrava sempre no fundo do copo
desde que acreditara tê-la visto numa sombra de paixão com outro alguém ou com outra ?Agora ela voltara como um fantasma.

Caminhava na chuva sem enxergar sob o lençol de gelo fino da manhã ,ensopada olhou para trás ,
para o espelho que refletira seu amor .amor que era só dela.

Wilson Roberto Nogueira

Urbe Cínica II
Perder alguém e cair a fixa muito tempo depois é f..a.

Mas já estou acostumando-me com a idéia. Hoje

em dia é tão simples, basta deletar.Farei isso a partir

de algum dia da semana semana que vier.

Ao menos rendeu uma crônica. Mini-conto ?

A vida um mini-conto rasgado e molhado pelo suor da alma.

Algo eslavo " mas não cigano.Ex sou algo ou o ego agora me engoliu

de um vazio que não sonhara até a hora em que ela partiu.

Que ela vá para puta que a pariu. Não. Ela pariu uma puta dor e sumiu.

Ela não sente nada. Lava a vadia com água o sangue que derrama,

finge drama e mata mansamente com gelo e sobras doadas.

Levar o que da lembrança. Lavar.

Lavar , mas se rasgar não perderei as letras

as letras voam na minha janela enquanto o tempo corre

e fico parado com meu olho do coração .Morto.



Adeus ...



Bang !!



(Faroeste na tv)




Wilson Roberto Nogueira
Dentro da tela do computador moravam mensagens de amor e amizade.
Precisou de uma mão; de um não quando se jogou da janela.
Sua foto foi parar no zétube com milhões de acessos.
O espelho da fama da jovem modelo banhada de vermelho.

Wilson Roberto Nogueira

-Aquela motorista !


-Qual motorista?

-Você foi pra lá e tinha uma motorista do bus...?

Os franceses não são simpáticos com quem não fala francês.”Pardón,s'il vous plaît"



A motorista que fumava feito uma chaminé e dirigia xingando os outros motoristas até cair o cigarro na calça e...ela não gostou

Homem, O que você  está esperando?

O bus passar com outra motorista, bonita e que não fume;

agora só vejo aqueles de cara de travesseiro amassado;

já algum tempo longe do sol, sabe como é...? estou igualzinho !

Disseram que preciso andar no parque, enquanto tiver sol...

Quando sai, vi um gato imenso de gordo que subiu com espantosa agilidade o muro de uma casa.Perguntei, como é que o chinês não viu .Quantas esfihas não daria !Fiquei com raiva. não consigo mais me abaixar sem que minhas costas protestem.

Wilson Roberto Nogueira


O cano de um revólver na cabeça de um aluno em frente a escola.Correria,angústia, desespero.Trocam passos incertos ,pés em todas as direções sob pernas tremulas.Ouvem tiros que explodem no desespero do silêncio, imaginando dor e sangue, que sentem em suas entranhas.Pavor.Professores como pastores tangem seu rebanho para a segurança (?) das salas.Professoras procuram armários inexistentes para se esconder, alunas gritam e choram sem saber, sem ver.Do alto de uma janela a diretora impassível perscruta o drama.Homem armado ameaçou aluno, mesmo sendo esse aluno o Maeda, não merece tal violência.As vísceras do infortúnio sorriem, um prazer sádico abre uma avenida nos lábios da professora de português.Enfim era só um policial à paisana.
Mais um dia rotineiro da escola brasileira.

Wilson Roberto Nogueira


Os dentes da madrugada curitibana rangem enquanto uma montanha de panos velhos aproxima-se de um apressado pacato burguês e sua sacolinha de remédios."Uma moeda por favor ".Sem desviar o rosto da estrada deserta, responde:"Lamento,minha última moeda gastei nos meus remédios ".Não perde seu precioso tempo procurando algum rosto entre aqueles trapos ambulantes e levanta o braço mostrando a sacola da farmácia, enquanto com a outra em punho cerrado ,aperta a moeda com a efígie do presidente JK. Passos apressados na escuridão sem o farol dos carros ,passa a andar no meio da rua.Como o tempo pode ser tão longo!


Wilson Roberto Nogueira

sábado, 29 de abril de 2017

Sexta Extincão

O humano raciocina este planeta esquecido que a luz do RacioSímio é a que escapa por trás das ripas numa rótula.

Ai, quando a ventania furtar os ferrolhos das janelas e perceber que tal abrigo, na real, está ao topo do Gólgota.


Ricardo Pozzo

domingo, 19 de março de 2017

Mueve la sopa,
la tibia sopa de legumbres
que era mi vida después que te fuiste.
Vuelves y la mueves.
Casi sin quererlo,
echas sal y cardamomo.
Echas recuerdos y dificultades,
retos y esperanzas.
Ya me veo tan en la sopa
movida, tan en el hirviente
líquido que se vuelve a sazonar
que ya siento el apetito retornar.
La lengua se desamortigua
Y empieza a echar saliva.
Bueno o malo el sazón,
la sopa movida es
lo mejor de la vida.

Luciana Cañete
Es triste ver un amor
deshacerse como el
azúcar en la taza umeante de
té.
Tú que me parecias
existir tan sólido como los dulces granos
se derritió en el calor
de mis líquidos.
Y no hay como cambiarlo.
Eres ahora parte de mí,
y endulza.
Ya no hay como evitarlo,
El té no se puede separar
del azúcar una vez echado.
Luciana Cañete

I´m not perfect.


Medos mudos.
Minha pele é sensível,
se espalham em mim dores.
Meus olhos às vezes acordam tristes.
Meu cabelo: não é nem bom nem ruim,
e também grisalho.
Haverá espaço pro que não é perfeito?
Esse espaço, onde?
Não o lugar comum – no mundo...
Em mim, há espaço pro imperfeito?
Descarto tudo que tem defeito.
Descarto tudo.
A solidão: única incorrigível coisa.

Luciana Cañete

Tudo tem hora certa

Tudo tem hora certa,
intui, respira, aperta
suspira, conspira
e acerta.

Fecho uma porta torta,
Pra ele entrar pela reta.
Nunca tranco a janela
Do que não se vê,
pra espiar pela fresta.
Um veio e foi,
Outro vai,
Aquele volta.

Deus escreve cartas belas
Em linhas tortas cheias de amorosas palavras.
Ou junta tudo pra sempre, sem volta.
Ou me descola as almas agora,
Me desconsola.
Me deixa sola,
surda e muda,
Pra ver se eu aprendo de vez que amor
É mais silêncio que poema.

Luciana Cañete

NO BRASIL APRENDI A VOAR



Derretendo
Por dentro em sufoco
Num país inóspito aos filhos da própria terra
Talvez servidor do estrangeiro
Em Luanda me achei calado.

Num mundo apocalíptico
Onde o medo predomina por causa do opressor
Que à um cidadão pacato que reivindica
Bradando apenas por justiça,
A bala nele não se poupa
Assim somos obrigados a engolir sapos vivos!

Com medo do terror
A voz do poeta se emudece
O talento em sua alma se morre!

Na África, de onde eu vim... me achei calado no meu mundo vago,
Por medo, onde as feras despedaçam as aves indefesas,
Que não têm asas pra voar!

Mas...
Em Curitiba, Capital Paranaense
Entre os escritibas na rua
Em saraus poéticos e canções melódicas
ora em goles do guaraná e risadas eufóricas entre os amigos
No Brasil aprendi a voar!

Em Curitiba migrei
Navegando em suas marés serenas e apaziguantes
Nada igual às marés agitadas e turbulentas
De Luanda-Angola minha terra de onde eu vim!

Oh, Brasil
Migrei em ti em plenitude de corpo e alma
Qualquer dia
De ti só levarei lembranças boas
De sua gente amável e gentil
Pois, daqui, é onde ganhei as minhas asas
E aprendi a voar em liberdade!

Em Curitiba, Capital Paranaense,
Numa roda plenária entre os artistas
Em saraus poéticos de alegria folguedo
Aprendi a voar

Com os amigos
Conselhos e lições estratégicos de Olinto Simões eu bebi
Completando a minha total audácia
Para poder voar
Voar
Voar
Voar
Sim, Voar em Liberdade!

Qualquer dia, de ti Brasil, só lembranças boas comigo levarei!


Moisés António (Curitiba aos 19.03.2017)

domingo, 19 de fevereiro de 2017