sábado, 29 de abril de 2017

Sexta Extincão

O humano raciocina este planeta esquecido que a luz do RacioSímio é a que escapa por trás das ripas numa rótula.

Ai, quando a ventania furtar os ferrolhos das janelas e perceber que tal abrigo, na real, está ao topo do Gólgota.


Ricardo Pozzo

domingo, 19 de março de 2017

Mueve la sopa,
la tibia sopa de legumbres
que era mi vida después que te fuiste.
Vuelves y la mueves.
Casi sin quererlo,
echas sal y cardamomo.
Echas recuerdos y dificultades,
retos y esperanzas.
Ya me veo tan en la sopa
movida, tan en el hirviente
líquido que se vuelve a sazonar
que ya siento el apetito retornar.
La lengua se desamortigua
Y empieza a echar saliva.
Bueno o malo el sazón,
la sopa movida es
lo mejor de la vida.

Luciana Cañete
Es triste ver un amor
deshacerse como el
azúcar en la taza umeante de
té.
Tú que me parecias
existir tan sólido como los dulces granos
se derritió en el calor
de mis líquidos.
Y no hay como cambiarlo.
Eres ahora parte de mí,
y endulza.
Ya no hay como evitarlo,
El té no se puede separar
del azúcar una vez echado.
Luciana Cañete

I´m not perfect.


Medos mudos.
Minha pele é sensível,
se espalham em mim dores.
Meus olhos às vezes acordam tristes.
Meu cabelo: não é nem bom nem ruim,
e também grisalho.
Haverá espaço pro que não é perfeito?
Esse espaço, onde?
Não o lugar comum – no mundo...
Em mim, há espaço pro imperfeito?
Descarto tudo que tem defeito.
Descarto tudo.
A solidão: única incorrigível coisa.

Luciana Cañete

Tudo tem hora certa

Tudo tem hora certa,
intui, respira, aperta
suspira, conspira
e acerta.

Fecho uma porta torta,
Pra ele entrar pela reta.
Nunca tranco a janela
Do que não se vê,
pra espiar pela fresta.
Um veio e foi,
Outro vai,
Aquele volta.

Deus escreve cartas belas
Em linhas tortas cheias de amorosas palavras.
Ou junta tudo pra sempre, sem volta.
Ou me descola as almas agora,
Me desconsola.
Me deixa sola,
surda e muda,
Pra ver se eu aprendo de vez que amor
É mais silêncio que poema.

Luciana Cañete

NO BRASIL APRENDI A VOAR



Derretendo
Por dentro em sufoco
Num país inóspito aos filhos da própria terra
Talvez servidor do estrangeiro
Em Luanda me achei calado.

Num mundo apocalíptico
Onde o medo predomina por causa do opressor
Que à um cidadão pacato que reivindica
Bradando apenas por justiça,
A bala nele não se poupa
Assim somos obrigados a engolir sapos vivos!

Com medo do terror
A voz do poeta se emudece
O talento em sua alma se morre!

Na África, de onde eu vim... me achei calado no meu mundo vago,
Por medo, onde as feras despedaçam as aves indefesas,
Que não têm asas pra voar!

Mas...
Em Curitiba, Capital Paranaense
Entre os escritibas na rua
Em saraus poéticos e canções melódicas
ora em goles do guaraná e risadas eufóricas entre os amigos
No Brasil aprendi a voar!

Em Curitiba migrei
Navegando em suas marés serenas e apaziguantes
Nada igual às marés agitadas e turbulentas
De Luanda-Angola minha terra de onde eu vim!

Oh, Brasil
Migrei em ti em plenitude de corpo e alma
Qualquer dia
De ti só levarei lembranças boas
De sua gente amável e gentil
Pois, daqui, é onde ganhei as minhas asas
E aprendi a voar em liberdade!

Em Curitiba, Capital Paranaense,
Numa roda plenária entre os artistas
Em saraus poéticos de alegria folguedo
Aprendi a voar

Com os amigos
Conselhos e lições estratégicos de Olinto Simões eu bebi
Completando a minha total audácia
Para poder voar
Voar
Voar
Voar
Sim, Voar em Liberdade!

Qualquer dia, de ti Brasil, só lembranças boas comigo levarei!


Moisés António (Curitiba aos 19.03.2017)

domingo, 19 de fevereiro de 2017