quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Refletindo silêncio

Para longe de mim
Equilibrando-me
sobre o fio esticado
entre sonho e juízo
prestes a estatelar-me
na rudeza dos fatos
prestes a alçar vôo
rumo a pouso impreciso

Para longe de mim
A ressonância da tua voz
provoca tremores
muda o curso da libido
no murmúrio raso
do discurso fluido
que escorre
para minhas profundezas

Para longe de mim
Que a figura
debruçada na janela irreal
seja a imagem colhida
pela menina em meus olhos
a ostentar indiferença

Estrela longínqua
refletindo silêncio
no mar

Iriene Borges

2 comentários:

RAUL POUGH disse...

Putz... fantástica! Te adoro, poeta!

Heyk disse...

Realmente somos feitos de água. Quanto mar a nessas palavras. E sempre mar.
Eu gostei desse poema. O li com uma dose de euforia que muito me interessa. Mas é rara aqui nessa veia.
Mas gostei. E Gostie mesmo. POrque depois de ter escrito esse primeiro "Mas gostei" fui ler de novo, dessa vez mais sóbrio e achei foi bom e não teve jeito: É bom o poema.