segunda-feira, 24 de maio de 2010

Rancho das Varejeiras

amor tão grande, nunca visto,
beijar sempre os lábios do lixo.
a enxaqueca canora, o vício
em restos sem qualquer espírito.
o despejado no esquecido:
cigarro, estopa, óleo de rícino;
o descartado e sem amigo:
laranjas podres, corpos findos;
o absurdo e desdentado lírio
mais legumes envilecidos.

bem como a floreira na esquina,
desastre calmo, entardecido,
lhes oferta o monturo ainda
(que importa o minério da sílaba?)
herói, amada, estrela extinta:
sem nojo, o despojo de um livro.

suguem, moscas. ou melhor, libem
o caldo pouco da poesia.


Rodrigo Madeira

3 comentários:

Anônimo disse...

Feliz Cumpleaños, Compañero Madeira!!!

Ricardo Pozzo

Gi disse...

nada como um lixo romântico...

Tullio Stefano disse...

a poesia é o caminho vivificante;mas, só visualiza a vida quem pode encarar a morte.Lixos são coisas da exaustão e da combustão, nosso lixo é um fato do já acontecido; continuar acontecendo no vislumbre do já acontecido,mostra o quanto somos aquilo q se consome, não obstante de q tudo se renova.