sábado, 9 de janeiro de 2010

Aquicidades & Presságios

as casas lado a lado
sempre coordenadas, seus muros assindéticos
dentro delas pessoas estão
e são
uma ao lado da outra

seus cães latem a mesma língua
nos quintais enumerados
casas imóveis lado a lado

eis que os arranha-céus
empilham camas fogões banheiros
dentro deles pessoas esperam
vão lado a lado no elevador

estão mais longe, decididas
seus cães latem nos sonhos
nas varandas monossilábicas
resumo das mesmas casas hirtas
arrumadas nas prateleiras

confusas pombas da vila mariana
pousam newtonianas em cercas elétricas dos condomínios
na plenatodavia 23 de maio
joão e maria seguem o rastro de cimento [a bruxa repousa na fábrica]
mas pássaros de aço que ninguém vê comeram a pista e ambos
se perdem à esquerda à esquerda na noite da usp

velhas velhinhas highlanders plantam adagas de desejo
na florestinha da praça da república
o chafariz cospe um saara
velhas velhinhas marginais
sonham os vãos azuis entre os arcos da ponte que um dia haverá

natasha, aquela flor da são joão
natasha, aquela flor e só ela sabia
que o amor é um fantasma
─ só aparece nas fotos

o shopping de quatro andares nova arca
no túmulo do insepultado homem-máquina de sobrevivência
enquanto o memorial da barra funda se disfarça em cenário
de stanley kubrik
[as velhinhas riem suas bocas.com]

no lotação liberdade poucos majores
moças policísticas de santo amaro traspassam as sagradas famílias
e penetram gozosas o colégio dante
de onde se ouve o choroso canto pedagogo
da polimórfica zona leste polissíndetos polissíndetos forever

─ com quem aprendeste a soberba, moça do itaim?
─ com bichos que andam fora do butantã . [aplausos no morumbi]
fantasmas sem nome escoram os paredões do copom
mas se distraem com a poesia bem feita do poeta eleitoral
caem tijolos e palavras e cabelos da cabecidade

ímãcidade
a vila sem carnaval se abre
hímencidade
são bento passa a língua na galeria pajé

fuga-cidade
o rapaz doente na fila do hc compra um picolé
priva-cidade
que tecido se rasga sobre a pele da urbe turva

traje-cidade
que morre na renascença e na catedral plastificada
o coletor de lixo mistura as sobras de itaquera
com as do palácio episcopal

comicidade
[as velhinhas riem suas bocas.com / ou são as araras do bispo?]
o coletor de lixo sonha reinterpretar as refeições
no caminhão intestino exposto da cidade

as voracidades voracidades voracidades voracidades
reciclam os sonhos do coletor
sem tênis adequado em vias destecnológicas
caminham prostitutas prostitutos caminham
uniformizados oficiais orgânicos
sua saga-cidade

saga-cidade
saga-cidade
saga-cidade
sagacidades


Marcio Branquinho e/ou Boy Interrupted

2 comentários:

Anônimo disse...

pô, mt bom esse poema.

volte sempre!

r.m.

Garoto, Interrompido disse...

obrigado....qdo eu encontrar um taxi ou ambulância por ai...eu volto com certeza...bons novos anos r.m.
são os votos de m.b.