sexta-feira, 4 de maio de 2012


Ó, minha flor cheia de moscas! Lhe escrevo essas horrendas linhas com o pulso aberto e usando chorume como tinta. Das ratazanas traiçoeiras aos dejetos dos porcos, tudo me remete a você. Da bosta vim mas a bosta não voltarei.Vamos construir um lar de detritos e despojos, onde não nos falte o fel nosso de cada dia. Um urubu esfomeado será nosso bicho de estimação, e mil corvos do lado de fora gritarão: “Nunca mais”. Nunca mais quero sentir a solidão! Na companhia de seus cravos e perebas encontrei a paz - palavra limpinha tal qual privada lavada- que tem sido a razão do meu apodrecer.
Pra você, bruxa pútrida dos meus pesadelos, digo até a vil palavra que rima com fedor e rancor. E me sobra sangue pra escrever: o amor, o amor.

Com tremor e desassossego,
                                    Seu Estrupício das Dores.

        Lucas Jeison - Conspiração Prosa Poética, 2012