sábado, 17 de agosto de 2013

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Ela, que contraiu matrimônio com Tânatos, e nos deixou cedo demais

Oisive jeunesse
À tout asservie;
Par délicatesse
J' ai perdu ma vie.

Arthur Rimbaud; Chanson de la Plus Haute Tour

atino em eufórica
sensação de escombro:
mais importante que ser feliz
é estar vivo!

Rodrigo Madeira; lanterneiro


para i. v.


Réplica de Walter
Benjamin,
sem poder cruzar
fronteiriças regiões
psíquicas,
em ágil e instantâneo
movimento,
você deslocou a
vida para fora de si.

Restou o nó na garganta,
os pés no vazio,
desfraldado pavilhão
do desperdício.

Retorna o sol manso,
de inverno,
aquecendo outra
manhã de segunda

(só você não viu?)

das rotinas sonâmbulas,
do mesmerismo coletivo
vendido por oneroso
suor à indústria
da mídia.

E suas carnes não mais ninho
de ávidos amantes,
nem seus ouvidos para 
only rock and roll
but we like it,
nem seu paladar
a saborear colheres
de chocolate com amêndoa,
ou lúpulo fermentado.

Nem o colo
inestimável,
imprescindível
para suas meninas

(suas meninas, meu derradeiro
argumento)

Só o monstro do Real
agora lhe devora.

Restei, com essa cara
de panaca
que me olha do
lado do mundo de Alice
e um ar tão denso
quanto um derramamento
de óleo.

Não bebi do mesmo
copo para medir
as perspectivas da escolha
porém, você também
não bebeu dos que,
no dia seguinte,
foram convertidos a
meras estátuas de sal,
sem filha,
sem mãe,
sem irmã,

nem igual.

Se, símile ao torna-lar e
ambidestro na Arte,
próximo à rocha
onde os rios ecoam,
consagradas oferendas
ao cavado fosso,
invocada licença
aos guardiões do Érebo,
pudesse ver sua ânima,
estaria você mais sábia?

E, estando mais sábia,
desvelado Tânatos e seu
enfadonho mistério,
rogaria à Perséfone ou
à qualquer Orishá balê,
que voltasse à matéria
por apenas uma noite,
no verão,
para, com suas filhas,
poder simplesmente
admirar sóis longínquos
e com elas rir,
sem nenhum motivo.


Ricardo Pozzo



terça-feira, 6 de agosto de 2013

SUBSISTERS [barbara] 2 VO

bárbara de novo na área, colgada, capturada e cocinada. não podia falar mais rápido, correr mais longe, não o suficiente. eu ajudo-a desfazer a mala. arrepios quando o camisón de seda desliza através dos dedos. e o brilho que as lantejoulas no vestido de noite...podem ter. bárbara atrevia, em cada canto da sala queria porque queria acender um novo cigarro. frente à branda janela o crepúsculo da cidade pequena, o pequeno mar instável, em noite de pouco peixe.


Uljana Wolf/ tradução Ricardo Pozzo



barbara ist zurück. hooked, caught and cooked. keine konnte schneller sprechen, weiter laufen, nicht weit genug. ich helfe ihr, den koffer auszupacken. gänsehaut, wenn mir die slipdress seide durch die finger rinnt, und auf dem abendkleid das glänzen der pailletten... kannste haben. barbara keckert. in jeder zimmerecke steckt sie eine neue zigarette an. vorm fenster fad die dämmerung der kleinen stadt, das kleine klatschende meer, nacht der kleinen fische.



Uljana Wolf

somos o que nos consome?


Odis Seus?


Ciclo
Pe
nélo
Pe

Ricardo Pozzo

domingo, 4 de agosto de 2013

Subsisters [jane] 3 OcT

com jane combinava minha tia, sempre alegres. sua tristeza foi dividida nas cores do berçário e da colméia. jane era meu acordo com o jardim onde acomodávamos o jardineiro, a madeira brilhante do arce e a bengala vermelha. jane era tão valente a ponto de enterrar tudo sozinha. dessa profundidade, ao pôr do sol, elevava o olhar, ou o que restava dele, sob o lenço na cabeça. nas lentes, ganhavam terreno lentamente as ruas com suas casas em miniatura.

mi hermana estaba demasiado vieja para la guardería, pero el
jardinero por otro lado no tiene la edad suficiente

Uljana Wolf/ tradução Ricardo Pozzo



3 OmU

mit jane verbanden meine tanten immer freud. ihr leiden war unterteilt in die farben baumschule und bienenstock. meine vereinbarung mit jane war der garten, darin wir die gardner, das glühende holz des ahorn und den roten gehstock unterbrachten: jane war so mutig, alles allein zu vergraben. aus dieser tiefe hebt sie, mit der untergehenden sonne, den blick, oder was davon blieb, unterm kopftuch. in den gläsern arbeitet sich die straße langsam vor in ihre miniaturhäuser.

my sister was too old for the nursery but the
gardner on the other hand wasn’t old enough


Uljana Wolf

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Piraquara - Região Metropolitana de Curitiba

Subsisters [jane] 3 VO

com jane, que poderia ser minha tia, alegrias e tristezas compartilhadas no clube. digo berçário, jane colméia. fora isso, poucas concordâncias. mas o jardim, o jardineiro, o vermelho incandescente do arce e do roseiral da casa: encorajo jane a tudo. basicamente, ela é, frente ao sol poente, sempre atraente. seu lenço na cabeça trabalha por ela e no óculos de sol, ao despedir-se, voam as casas na rua de volta para suas cores miniaturizadas.

Uljana Wolf/ tradução Ricardo Pozzo


3 OV


mit jane, die fast meine tante sein könnte, freud und leid im club geteilt. ich sage baumschule, jane beehive. sonst kaum übereinstimmungen. aber der garten, der gärtner, das glühende rot des ahorn und der rosenstock am haus: ich ermutige jane zu allem. im grunde ist sie, gegen die untergehende sonne, noch immer ein hingucker. ihr kopftuch arbeitet für sie, und in der sonnenbrille, beim abschied, fließen die häuser der straße zurück in ihre miniaturfarben. 


Uljana Wolf

segunda-feira, 29 de julho de 2013

No décimo primeiro andar da UFPR - Reitoria

Guerra

No momento o conhecimento envileceu a cimentar
searas de ossos quebradiços ao som de sereias
que sopram tempestades nas ventas invernais.
Sobre as rubras lágrimas na seara de Marte
quando mais sobram foices caminham crianças
de pés descalços e olhos de abismo
no sonho seco de vinho avinagrado
cegos sóis  nascem frios e a dor não acalenta
de vida os corpos desertores

de vida os corpos ausentes na lida.


Wilson Roberto Nogueira

domingo, 28 de julho de 2013

A vida não é filme nem



O que sente a nuvem quando se torna lágrima no olho da noite?

Enquanto eu, que não conheço seu secreto nome, peço ao vento, deus da solidão, que lhe faça um carinho, porque você havia me olhado com tanta verdade, que então até a verdade me olhou e imediatamente fixou minha imagem nas páginas do tempo. 

Ricardo Pozzo

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sujeitos Leitores


carta aberta

farei minha casa de árvore
no bonsai.

janeleira como olhos,
buliçosa,
a araucária cujos galhos
serão verdes cobras...

mas o veneno será todo meu.

vou contente,
saio sem nove horas.
vou lavar minhas únicas roupas
nos arroios da saliva,
quará-las à luz da lua.

farei minha casa de árvore
no bonsai.

amarelecida de fruta-cor e mijo,
a página,
a língua que lhe falta,
indaga-se:
– onde estás? onde estás,
tu que sangravas tanto?

escreva-me de mim o que
quiseres, página,
não me ouço mais!
assino-te em branco,
fundo tuas margens
num fio de catástrofe.
as palavras já são calhaus.

longe, fui colher insetos
                    através da noite

e afio minha faca no orvalho.


Rodrigo Madeira

terça-feira, 23 de julho de 2013

Em nome da razão



Canção

Três mocinhas me namoram
em Jaén:
Aisha e Fátima e Marién.

Três mocinhas tão garridas
azeitonas iam colher
encontravam-nas colhidas
em Jaén:
Aisha e Fátima e Marién.

Encontravam-nas colhidas
então desmaiavam
com cores perdidas
em Jaén:
Aisha e Fátima e Marién.

Três mouriscas terçãs
iam colher maçãs
e colhidas encontravam-nas
em Jaén:
Aisha e Fátima e Marién.

Anônimo/ Espanha, século XV/ tradução Ricardo Pozzo

Cancion

Tres morillas me enamoram
en Jaén:
Axa y Fátima y Marién.

Tres morillas tan garridas
iban a coger olivas
y hallábanlas cogidas
en Jaén:
Axa y Fátima y Marién.

Y hallábanlas cogidas
Y tornaban desmaidas
y las colores perdidas
en Jaén:
Axa y Fátima y Marién.

Tres moriscas tan lonzanas
iban coger manzanas
y cogidas las hallaban
en Jaén:

Axa y Fátima y Marién.

Anônimo/ España, século XV

terça-feira, 16 de julho de 2013

O Espantalho

arte de Augusto Meneghin, inspirado no poema homônimo de Rodrigo Madeira.
[aquarela e colagem]

quinta-feira, 11 de julho de 2013

o silêncio vai raspando a pele
até cortar a veia do sentimento
o sangue verte irrigando o sofrimento
que germina novas luas
de plácidos rostos em lagoas puras.
Jogo o anzol e só espero o prateado brotar peixe
faminto não sinto dores nem o clamor da fome
não vejo a lua me olhando triste no fundo do lago
só o peixe essa moeda da minha angústia.
palavras são foices ou seda, lã ou adaga
em mim elas saem como desespero de peixes
numa lagoa a secar no olhar de prata da lua
O sorriso plácido do silêncio é uma adaga
um sorriso que corta sem saber
corta o ar da gota prateada que se fez peixe
e não sabe por que seu mundo está a secar.
talvez ele já não saiba mais amar.


Wilson Roberto Nogueira

sábado, 6 de julho de 2013

T.U.C.

Galeria Julio Moreira

quinta-feira, 4 de julho de 2013

domingo, 30 de junho de 2013

Financiamos sua conversa politicamente correta


louva - a - deus

derredor
tudo é uma única carne,
massa de sangue e manhãs,
um único crime e milagre;
nas contorções do ar,
a mesma espessura do minério.

piso folhas secas, manchadas
de outono e icterícia.
avanço, anjo carnívoro,
enfiando os dedos azuis nos
bolsos furados do existir, nas
alegrias de alto teor alcoólico, nos
instantes como sais de prata,
frutos, fósforos.
caibo inteiro em minha solidão.

não estou só.
um perfume gordurento do corpo
(nu sob as roupas) rói mucosas e
epidermes e
me impele ao reino onde sou
bicho, outro, construção remedida
pelo arqui-
teto de estrelas. meu fedor
é uma chama! me depõe nova-
mente sobre as árvores.

eis que vejo: o louva-a-deus.
olha-me como
              se eu fora de fora,
alienígena, um cão sobre a jangada.
olhamo-nos
              circunspectos.

será que pensa, será que sofre
quando curva a cabeça, beato e fera?
remexe o espéculo de antenas
(não dirá palavra),
experimenta as asas,
mantídeo de entre folhagens.

penetro hipoteticamente
sua armadura
em verde-escarro,
ou por baixo
             seu espigão fracionado
e ausculto
a víscera espumando morte
e espanto.

existe nele um rancor que é meu,
uma alegria radiante.
louvamos ambos,

de espinhos armados,
o sol que brilha indiferente
sobre deus e o mundo.


Rodrigo Madeira/ extraído de seu blog às moscas http://rodrigo-madeira.blogspot.com.br/

quinta-feira, 27 de junho de 2013


Do progresso nas profissões

Não se vê daqui, mas sei
que a prostituta na rua
tem um olho de vidro.

É mais aparente o gancho
na mão esquerda
ou, mais à luz, sob o poste
a prótese
da perna.

A insaciedade da fome de carne
que tem que se satisfazer
com borracha.

É tempo de fetiches, pessoas
que se fazem fetiches.
Servir-se
da prostituta na rua
não era tanto sexo com gente
quanto era sexo
com coisa
tevê, geladeira,
sonho transerótico do
transumanista.


Adriano Scandolara/ extraído de seu livro de estréia A Lira de Lixo pela Editora Patuá

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sabará/ Curitiba

domingo, 26 de maio de 2013

O casaco da memória dá abrigo a restos manjares de ratos.
nos bolsos dos sonhos sobrou um níquel, nada além.
A manhã de sol enganador, só a umidade cortante da razão
cravando adagas de cicatrizes, sorrindo soda e ácido.
abre a porta na manhã fria e não existe uma foice sequer.
Resta resgatar dos escombros algum barro novo a espera
de um sol trôpego e desavisado que dê alguma consistência
ao barro que teima ser pedra quando é só pó.

Wilson Roberto Nogueira.

sexta-feira, 10 de maio de 2013


Neonazifascistas israelenses matam os líderes da resistência semita Palestina, e agentes anglicanos monitoram nordestinos africanos islamizados que disputam postos de trabalho garantidos pela Sua Majestade, a Fraude, cujo mais novo dos netos estraçalha crianças e velhos [o custo de cada míssil sustentaria famílias do terceiro mundo por décadas] para viabilizar as reservas energéticas do ocidente no qual mergulham os jatos das companhias que transportam celebridades capazes de fazer girar em torno de trilhões de dólares ao ano para que você possa sedar-se confortavelmente à frente de sua tela lcd depois de oito horas de serviço, quem sabe, numa multinacional com isenção fiscal igual aos paraísos onde convivem o dinheiro das igrejas, dos tiranos de esquerda, de direita e do Estado por dentro do Estado.
Rezam alguns intelectuais que os indígenas possuem inferior capacidade cognitiva haja visto que eles desconhecem a mega valorizada cultura helênica. É difícil perceber, mas minha ascendência traz uma forte influência indígena e, creio eu, talvez seja por isso que sua boca profira juras de amor enquanto seus olhos as neguem com furor.
Como diz um certo Barão de Münchhausen, a primeira vítima da guerra é a verdade.


Ricardo Pozzo

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ocupação Nova Primavera/ Curitiba. O Contestado é agora!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

glut – gift – gift

juklapp, pensei que o amor não era nada más allá juklapp. restrições acontecem em abundância, podría queimar, seguir o caminho que o nó faz, o livro, a imagem quase realmente quente porém fumacenta. então vieram os hectares de oportunidades. o coração y el contracoração têm ladrões. eis que disponíveis, talvez agora, [un y otro] estejamos.

Uljana Wolf/ transcriação Ricardo Pozzo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sabará - Curitiba

Não ao cabelo quieto
comportado e com horário.
Antes o branco mal pintado
balançando ao vento
umedecendo ao sereno
na relva.
Suavemente penteado
por olhos macios
e dedos coloridos.

Não à pele plastificada estéril
monocromática
sem mancha.
Antes as pintas
e cicatrizes de vida.

Não à face
sufocada em tintas
e endurecida de vaidade.
Antes os sulcos que
respiram livres
sem o olhar opaco
das ilusões.
Esses que não perdem
a noção do tempo,
pois não tem noção alguma.


Deisi Perin

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sabará/ Curitiba

poema-resposta (ou: inspeção da carcaça de um anjo por um destacamento de moscas sequiosas)


não, astolfo,
eu não diria "um pássaro de pano",
eu não diria isso. eu diria:
uma mosca.

uma mosca é mais terrível
que um botão de flor, que a campainha;
uma mosca (e outra mosca e outra ainda)
que pousasse, terrível
nos terríveis,
nos botões e nos gatilhos

em washington, cartago e hiroshima,
em troia e bagdá, em katyn
ou treblinka.

moscas dos verões berlinenses, entre
61 e 89,
passeavam – e livremente –
dos lixões ocidentais, onde
um braço decepado apodrecia,
às fezes semilíquidas
de burocratas do partido.

mosquinhas delicadas, idem:
roçaram os arames, os alarmes e vigias
e punham ovos
nos pomares de potsdam,
na árvore sem lembranças
em que enforcaram também suas crianças
os últimos nazistas.

mesmo ao lancetado cristo, quando
debandaram os apóstolos, é bem possível
que uma ou duas moscas
lhe fizessem companhia.
moscas mesmo sobre os corpos
de heitor e lincoln, menelau ou bonaparte,
aquiles, lênin, nixon.

e se ora elas põem ovos
no laquê de merkel, na lapela
dos financistas, nos bigodes
de todos os políticos,
na aposentadoria
de bush pai & filho & cia

– como antes
nas florestas da bolívia
pisaram sem coturnos
o rosto mais fashion
do socialismo –,

entortam, isso é certo, também a pose
de carla bruni (enésima-neta
de cesare,  felipe – o belo)
supirando, ciciando uns versos
de emily dickinson.

e embora eu ame maiakóvski – o maior
poeta entre os políticos –
e me toquem mais que o claro enigma
as cartas de drummond a stalingrado,
nada impede que seja um pássaro
de pano imagem bem ridícula.

nada disso impede, astolfo,
que uma mosca seja a lira, dos homeros
a concisa, cantando aos mortos num campo de batalha;
nada impede

que uma mosca seja tanto
ou mais poética
que um avião de guerra, um helicóptero
sobre as torres de petróleo líbio:

pois se a mosca pousa e alça voo, astolfo,
acredita!,

também levanta os pós e as areias,
também encrespa as águas e cabelos,
espalha as páginas avulsas
dessa tua ilíada.


Rodrigo Madeira
Ocupação Nova Primavera. O Contestado é agora!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

a sua pele branca de algodão, 1


não fujo de uma rosa dolorida
nem quero a solidão tumultuada.

para morrer eu só carrego a vida."

 romério rômulo

terça-feira, 16 de abril de 2013

Rua Trajano [Hell´s] esquina com Paula Gomes - Curitiba

Sobre esquecer as chaves em casa


Salvador Dalí cruzando a Visconde com a Vinte e Quatro de Maio trajado de cão andaluz vê um monte de estudantes do Bom Jesus fardados e enfadados fumando um maço de cigarros mentolados deitados na praça Rui Barbosa e encosta num canto sem sombra um tanto assustado ao perceber que as rosas de
plástico que brotam do asfalto exalam o mesmo aroma artificial de tabaco que se encontra no pulmão do cidadão sentado no banco e nos dentes amarelados dos alunos do ensino médio e diante do tédio da quinta-feira ele ainda ébrio segue em direção ao telefone público da esquina e disca 3022-2324 e pede o combo mais barato do Vininha pra comer sozinho no caminho enquanto dá um rolê pela Linha Turismo e impressionado com o realismo dos mendigos esfomeados em contraste com a riqueza da cidade ele sente saudades de casa e caça nos bolsos da calça uma chave de ouro ou um relógio de bolso derretido que o leve de volta para o plano onírico situado entre A Girafa em Chamas e O Grande Masturbador tomando ciência da inexistência de tal souvenir Salvador começou a vagar à procura de alguma nuvem em forma de porta já que coincidentemente naquela hora o último biarticulado havia passado em frente ao passeio público e não havia outro modo seguro de ir embora foi quando Dalí percebeu que a partir dali assim como os relógios pendurados no muro em A Persistência da Memória ele estava trancado no próprio futuro pelo lado de fora.


Camillo José
Bar OTorto - Arte by Juliano Grus/ Curitiba

Amálgama


A vida me persegue com seus timbres 
Roucas vozes do acontecimento; 
Nada me amedronta mais 
Que a face intacta das coisas. 

Tomo de açoite o banquete das rosas 
Oásis de brancura estendem-se 
Em escarlates ensandecidos 
De-lírios à veia acesa. 

Restam desertos 
Que o sol, tresloucado 
Chama de poemas. 

A areia arranha o silêncio do pêlo e sua 
Mistura de sal no sentido da pele 
Perduram águas. 

À sina de mim 
Amálgamas vertem suas misturas 
Que a pureza dos olhos 
Chama pássaros 

Circundam o mel do corpo 
Venta, na eriçada 
Flor do ventre.


Roberta Tostes Daniel

quarta-feira, 10 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013


O carrinheiro carrega o fardo de seus sonhos desfeitos
feitos de papelão que queimam no dia a dia a ilusão
vivem pra ontem à correr pro hoje
a passos mortos no agora da ágora.

O carrinheiro com que ganha alimenta de sal a esperança
nas vísceras o sabor do café fraco e frio pro filho sua herança
nos seios secos de leite ainda verte da dor o amor
pedra que rasga o coração no arame do choro faminto da criança.

O carrinheiro com o vento leva as cicatrizes de suas pegadas
o sangue seco na secura de seus olhos fantasmas
só ilumina a luz de sua sombra companheira
do fiel cão que dá a vida sem exigir o seco  pão
corpo de Cristo na fé que transcende a razão
cão que come a carne que resta quando encontra
lhe basta a carne do vento na sombra do carrinheiro.

O carrinheiro carrega sua sombra fantasma na sombra da selva
da cidade parte pedaços parte em pó nas partes da cidade
paisagem qual pedra um Pedro ou Zé nas sombras
Ao dia que se amontoa e soterra a noite que ilumina na escuridão
as trevas nada a gota humana carregando a si e o que de si resta
è o que presta presto cavalo homem da urbe trituradora
vapor trabalho desconstruindo na força motriz a mercadoria
Segue animal alienado lutando por sua humanidade diante do aço e do vidro.

È só o pó que resta da mercadoria a força de trabalho de valor tão escasso
tão sem cifrões e zeros só o valor reciclável de uma vida

Segue a poesia nas pegadas do cão ao caminhar
Parte da paisagem sombra sangue que escorre das cicatrizes da cidade
Tiro de verdade na ilusão
soco no estomago da Feliz Cidade.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, 6 de abril de 2013

Dez anos do Pó & Teias, comemorados no projeto Vox Urbe do Wonka Bar

Ricardo Pozzo, Wilson Nogueira, Glória Kirinus, Angela Gomes, Deisi Perin e Olinto Simões