quinta-feira, 4 de julho de 2013

Saco de pulgas adornado pelo Sol


A la Cummings/ pero no tanto


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Ricardo Pozzo

domingo, 30 de junho de 2013

Financiamos sua conversa politicamente correta


louva - a - deus

derredor
tudo é uma única carne,
massa de sangue e manhãs,
um único crime e milagre;
nas contorções do ar,
a mesma espessura do minério.

piso folhas secas, manchadas
de outono e icterícia.
avanço, anjo carnívoro,
enfiando os dedos azuis nos
bolsos furados do existir, nas
alegrias de alto teor alcoólico, nos
instantes como sais de prata,
frutos, fósforos.
caibo inteiro em minha solidão.

não estou só.
um perfume gordurento do corpo
(nu sob as roupas) rói mucosas e
epidermes e
me impele ao reino onde sou
bicho, outro, construção remedida
pelo arqui-
teto de estrelas. meu fedor
é uma chama! me depõe nova-
mente sobre as árvores.

eis que vejo: o louva-a-deus.
olha-me como
              se eu fora de fora,
alienígena, um cão sobre a jangada.
olhamo-nos
              circunspectos.

será que pensa, será que sofre
quando curva a cabeça, beato e fera?
remexe o espéculo de antenas
(não dirá palavra),
experimenta as asas,
mantídeo de entre folhagens.

penetro hipoteticamente
sua armadura
em verde-escarro,
ou por baixo
             seu espigão fracionado
e ausculto
a víscera espumando morte
e espanto.

existe nele um rancor que é meu,
uma alegria radiante.
louvamos ambos,

de espinhos armados,
o sol que brilha indiferente
sobre deus e o mundo.


Rodrigo Madeira/ extraído de seu blog às moscas http://rodrigo-madeira.blogspot.com.br/

quinta-feira, 27 de junho de 2013


Do progresso nas profissões

Não se vê daqui, mas sei
que a prostituta na rua
tem um olho de vidro.

É mais aparente o gancho
na mão esquerda
ou, mais à luz, sob o poste
a prótese
da perna.

A insaciedade da fome de carne
que tem que se satisfazer
com borracha.

É tempo de fetiches, pessoas
que se fazem fetiches.
Servir-se
da prostituta na rua
não era tanto sexo com gente
quanto era sexo
com coisa
tevê, geladeira,
sonho transerótico do
transumanista.


Adriano Scandolara/ extraído de seu livro de estréia A Lira de Lixo pela Editora Patuá

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sabará/ Curitiba

domingo, 26 de maio de 2013

O casaco da memória dá abrigo a restos manjares de ratos.
nos bolsos dos sonhos sobrou um níquel, nada além.
A manhã de sol enganador, só a umidade cortante da razão
cravando adagas de cicatrizes, sorrindo soda e ácido.
abre a porta na manhã fria e não existe uma foice sequer.
Resta resgatar dos escombros algum barro novo a espera
de um sol trôpego e desavisado que dê alguma consistência
ao barro que teima ser pedra quando é só pó.

Wilson Roberto Nogueira.

sexta-feira, 10 de maio de 2013


Neonazifascistas israelenses matam os líderes da resistência semita Palestina, e agentes anglicanos monitoram nordestinos africanos islamizados que disputam postos de trabalho garantidos pela Sua Majestade, a Fraude, cujo mais novo dos netos estraçalha crianças e velhos [o custo de cada míssil sustentaria famílias do terceiro mundo por décadas] para viabilizar as reservas energéticas do ocidente no qual mergulham os jatos das companhias que transportam celebridades capazes de fazer girar em torno de trilhões de dólares ao ano para que você possa sedar-se confortavelmente à frente de sua tela lcd depois de oito horas de serviço, quem sabe, numa multinacional com isenção fiscal igual aos paraísos onde convivem o dinheiro das igrejas, dos tiranos de esquerda, de direita e do Estado por dentro do Estado.
Rezam alguns intelectuais que os indígenas possuem inferior capacidade cognitiva haja visto que eles desconhecem a mega valorizada cultura helênica. É difícil perceber, mas minha ascendência traz uma forte influência indígena e, creio eu, talvez seja por isso que sua boca profira juras de amor enquanto seus olhos as neguem com furor.
Como diz um certo Barão de Münchhausen, a primeira vítima da guerra é a verdade.


Ricardo Pozzo

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ocupação Nova Primavera/ Curitiba. O Contestado é agora!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

glut – gift – gift

juklapp, pensei que o amor não era nada más allá juklapp. restrições acontecem em abundância, podría queimar, seguir o caminho que o nó faz, o livro, a imagem quase realmente quente porém fumacenta. então vieram os hectares de oportunidades. o coração y el contracoração têm ladrões. eis que disponíveis, talvez agora, [un y otro] estejamos.

Uljana Wolf/ transcriação Ricardo Pozzo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sabará - Curitiba

Não ao cabelo quieto
comportado e com horário.
Antes o branco mal pintado
balançando ao vento
umedecendo ao sereno
na relva.
Suavemente penteado
por olhos macios
e dedos coloridos.

Não à pele plastificada estéril
monocromática
sem mancha.
Antes as pintas
e cicatrizes de vida.

Não à face
sufocada em tintas
e endurecida de vaidade.
Antes os sulcos que
respiram livres
sem o olhar opaco
das ilusões.
Esses que não perdem
a noção do tempo,
pois não tem noção alguma.


Deisi Perin

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sabará/ Curitiba

poema-resposta (ou: inspeção da carcaça de um anjo por um destacamento de moscas sequiosas)


não, astolfo,
eu não diria "um pássaro de pano",
eu não diria isso. eu diria:
uma mosca.

uma mosca é mais terrível
que um botão de flor, que a campainha;
uma mosca (e outra mosca e outra ainda)
que pousasse, terrível
nos terríveis,
nos botões e nos gatilhos

em washington, cartago e hiroshima,
em troia e bagdá, em katyn
ou treblinka.

moscas dos verões berlinenses, entre
61 e 89,
passeavam – e livremente –
dos lixões ocidentais, onde
um braço decepado apodrecia,
às fezes semilíquidas
de burocratas do partido.

mosquinhas delicadas, idem:
roçaram os arames, os alarmes e vigias
e punham ovos
nos pomares de potsdam,
na árvore sem lembranças
em que enforcaram também suas crianças
os últimos nazistas.

mesmo ao lancetado cristo, quando
debandaram os apóstolos, é bem possível
que uma ou duas moscas
lhe fizessem companhia.
moscas mesmo sobre os corpos
de heitor e lincoln, menelau ou bonaparte,
aquiles, lênin, nixon.

e se ora elas põem ovos
no laquê de merkel, na lapela
dos financistas, nos bigodes
de todos os políticos,
na aposentadoria
de bush pai & filho & cia

– como antes
nas florestas da bolívia
pisaram sem coturnos
o rosto mais fashion
do socialismo –,

entortam, isso é certo, também a pose
de carla bruni (enésima-neta
de cesare,  felipe – o belo)
supirando, ciciando uns versos
de emily dickinson.

e embora eu ame maiakóvski – o maior
poeta entre os políticos –
e me toquem mais que o claro enigma
as cartas de drummond a stalingrado,
nada impede que seja um pássaro
de pano imagem bem ridícula.

nada disso impede, astolfo,
que uma mosca seja a lira, dos homeros
a concisa, cantando aos mortos num campo de batalha;
nada impede

que uma mosca seja tanto
ou mais poética
que um avião de guerra, um helicóptero
sobre as torres de petróleo líbio:

pois se a mosca pousa e alça voo, astolfo,
acredita!,

também levanta os pós e as areias,
também encrespa as águas e cabelos,
espalha as páginas avulsas
dessa tua ilíada.


Rodrigo Madeira
Ocupação Nova Primavera. O Contestado é agora!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

a sua pele branca de algodão, 1


não fujo de uma rosa dolorida
nem quero a solidão tumultuada.

para morrer eu só carrego a vida."

 romério rômulo

terça-feira, 16 de abril de 2013

Rua Trajano [Hell´s] esquina com Paula Gomes - Curitiba

Sobre esquecer as chaves em casa


Salvador Dalí cruzando a Visconde com a Vinte e Quatro de Maio trajado de cão andaluz vê um monte de estudantes do Bom Jesus fardados e enfadados fumando um maço de cigarros mentolados deitados na praça Rui Barbosa e encosta num canto sem sombra um tanto assustado ao perceber que as rosas de
plástico que brotam do asfalto exalam o mesmo aroma artificial de tabaco que se encontra no pulmão do cidadão sentado no banco e nos dentes amarelados dos alunos do ensino médio e diante do tédio da quinta-feira ele ainda ébrio segue em direção ao telefone público da esquina e disca 3022-2324 e pede o combo mais barato do Vininha pra comer sozinho no caminho enquanto dá um rolê pela Linha Turismo e impressionado com o realismo dos mendigos esfomeados em contraste com a riqueza da cidade ele sente saudades de casa e caça nos bolsos da calça uma chave de ouro ou um relógio de bolso derretido que o leve de volta para o plano onírico situado entre A Girafa em Chamas e O Grande Masturbador tomando ciência da inexistência de tal souvenir Salvador começou a vagar à procura de alguma nuvem em forma de porta já que coincidentemente naquela hora o último biarticulado havia passado em frente ao passeio público e não havia outro modo seguro de ir embora foi quando Dalí percebeu que a partir dali assim como os relógios pendurados no muro em A Persistência da Memória ele estava trancado no próprio futuro pelo lado de fora.


Camillo José
Bar OTorto - Arte by Juliano Grus/ Curitiba

Amálgama


A vida me persegue com seus timbres 
Roucas vozes do acontecimento; 
Nada me amedronta mais 
Que a face intacta das coisas. 

Tomo de açoite o banquete das rosas 
Oásis de brancura estendem-se 
Em escarlates ensandecidos 
De-lírios à veia acesa. 

Restam desertos 
Que o sol, tresloucado 
Chama de poemas. 

A areia arranha o silêncio do pêlo e sua 
Mistura de sal no sentido da pele 
Perduram águas. 

À sina de mim 
Amálgamas vertem suas misturas 
Que a pureza dos olhos 
Chama pássaros 

Circundam o mel do corpo 
Venta, na eriçada 
Flor do ventre.


Roberta Tostes Daniel

quarta-feira, 10 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013


O carrinheiro carrega o fardo de seus sonhos desfeitos
feitos de papelão que queimam no dia a dia a ilusão
vivem pra ontem à correr pro hoje
a passos mortos no agora da ágora.

O carrinheiro com que ganha alimenta de sal a esperança
nas vísceras o sabor do café fraco e frio pro filho sua herança
nos seios secos de leite ainda verte da dor o amor
pedra que rasga o coração no arame do choro faminto da criança.

O carrinheiro com o vento leva as cicatrizes de suas pegadas
o sangue seco na secura de seus olhos fantasmas
só ilumina a luz de sua sombra companheira
do fiel cão que dá a vida sem exigir o seco  pão
corpo de Cristo na fé que transcende a razão
cão que come a carne que resta quando encontra
lhe basta a carne do vento na sombra do carrinheiro.

O carrinheiro carrega sua sombra fantasma na sombra da selva
da cidade parte pedaços parte em pó nas partes da cidade
paisagem qual pedra um Pedro ou Zé nas sombras
Ao dia que se amontoa e soterra a noite que ilumina na escuridão
as trevas nada a gota humana carregando a si e o que de si resta
è o que presta presto cavalo homem da urbe trituradora
vapor trabalho desconstruindo na força motriz a mercadoria
Segue animal alienado lutando por sua humanidade diante do aço e do vidro.

È só o pó que resta da mercadoria a força de trabalho de valor tão escasso
tão sem cifrões e zeros só o valor reciclável de uma vida

Segue a poesia nas pegadas do cão ao caminhar
Parte da paisagem sombra sangue que escorre das cicatrizes da cidade
Tiro de verdade na ilusão
soco no estomago da Feliz Cidade.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, 6 de abril de 2013

Dez anos do Pó & Teias, comemorados no projeto Vox Urbe do Wonka Bar

Ricardo Pozzo, Wilson Nogueira, Glória Kirinus, Angela Gomes, Deisi Perin e Olinto Simões

sexta-feira, 29 de março de 2013

Vai-e-vem Rio-Niterói

Por não ter rosto
reconheci-me ao te ver
Encarnei-me em ti.

Energias misturadas
procuro saber como sou.

Não reflito imagem alguma
convivo
rasgo tudo que sinto
quebro tudo que amo.

Afio as palavras
e as uso contra mim
Libero-te para viver tua vida

No próximo ato
senhoras e senhores:

EU!

nesse palco
por tempo indeterminado


Deisi Perin
Rua Visconde de Inhaúma - RJ

terça-feira, 26 de março de 2013

Araucária Esphynge Vegetal

Graças à generosidade do arquiteto e ao atual discurso politicamente correto dos cidadãos de bem, proprietários e inquilinos que, concordes, realizam a seleta dos resíduos resultantes do consumo, no egrégio intuito de salvaguardar o mundo, a outrora dominante imperatriz subtropical, resiste inadequada ao projeto do conjunto habitacional.

Ricardo Pozzo

quinta-feira, 14 de março de 2013

O iluminado Guilherme Gontijo Flores do Coletivo Escamandro, no Vox Urbe Na Carnura das Coisas, lançando seu livro Brasa Enganosa

quinta-feira, 7 de março de 2013

Sobre uma conversa com Ricardo


Ainda
Mais

Que os miseráveis
A Elite

Tem fome
Quer sempre

O maior pedaço
Tudo

Para si
Podendo

Não nos deixa
Nem as sobras

Inalando
Até as migalhas

A gula
É

De perto
O seu maior pecado


Fausto dos Santos

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


kochanie eu comprei pão



assim a estrangeira
faz sua conversa

eu a conheço
com costas quentes

com olhos fechados
numa cama de casal

ainda sem modelo
sem resposta certa

apenas o costume
em monte e vale

como algo que
se adapta a metades

sobre um colchão
traduzível

Uljana Wolf/ tradução Guilherme Gontijo Flores



kochanie ich habe brot gekauft

so bildet die fremde
gespräche aus

ich erkenne sie
mit warmen rücken

mit geschlossenen augen
in einen doppelbett

noch immer ohne muster
ohne richtig antwort

nur die Gewöhnung
an berg und tal

wie sich was
zu hälften fügt

auf einer übersetzbaren
matratze


Uljana Wolf


sábado, 16 de fevereiro de 2013

RONDEL ENLUARADO



A lua guarda nos seus olhos brilhos
Que compartilho quando olham os meus
E, mesmo à noite, quando sigo ao breu
Vão me guiando para andar nos trilhos.

A sua lembrança eu muito acaricio
Me rouba o fogo como prometeu...
A lua guarda nos seus olhos brilhos
Que compartilho quando olham os meus.

Dias e dias eu vivo e sobrevivo
E, sobre os vivos, brilho em estribilho
Desta saudade sua que eu cultivo
Para aguardar chegar os nossos filhos
A lua guarda nos seus olhos brilhos.

Altair de Oliveira, In: A Grande Coisa.


Altair de Oliveira, In: A Grande Coisa.
Este último, o "Rondel Enluarado" que está sendo musicado pelo João Cândido de Manaus e vai sair junto com outro poema meu já musicado "Silêncio, Saudade Brava!" no quarto trabalho (CD) da dupla "Candinho & Inês", cantadores da Amazônia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cataratas do Iguaçu/ PR

Há um homem selvagem em
Minha cabeça
Que me canta em sonhos de
Prosa cáustica
Por todos os cantos
E tempos do teu verbo

Há um cara
Selvagem em minha cabeça
Em cujo grito primal
Ecoa o barbarismo
Melhor decantado
Do que a mais perfeita
Sinfonia de ordem em vossos
Versos emulsificados

O homem assim
Meus caros
Eu sei vos
Causa azia
O mal-comum
De estar
Neste lugar que ocupais

O cais de fés irrefutáveis
Nas civilizações imaginárias
Às quais sempre chegamos
Um pouco depois ou
Tarde demais
Mas em que acreditamos
Atracar nossos navios
Fantasmas

Um porto no escuro
O trago no ar

Sem portões no horizonte
Porque ele nunca existiu lá

Um selvagem assim e
Diante dele sentes
A orgulhosa vergonha
Do litigante sem escrúpulos
E o desejo onanista
De que o mundo continue
Movimento ao infinito
O lugar
comum do ardil

Ao meu redor e em mim
Refaz-se o homem que entoa
A língua de todas
As estrelas
E ao seu trovoar de nebulosas
Mudas
A cada respiração
Sopra
Livres multidões
Gera em seu riso constelações
Com o calor do flúor, do neon
Na caligem em que
desejamos iluminação

Yury Myamura

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Vida


1

quando a morte abriu a porta da garagem, anne
sexton, vestindo o velho, memorioso
casaco de pele,
acelerou.


2

aquela noite, no palacete do mito, dylan thomas, cambaleante,
abrindo-se a braguilha, regou o belíssimo
vaso de flores de seu ídolo:

chaplin ficou ultrajado; chaplin, o escada,
o que caiu de bunda, o polícia.
aquela noite dylan thomas é quem foi
carlito.


3

um segundo após fantin-latour
apenas esboçar le coin de table,
arthur rimbaud, com o mesmo
punho que sustinha delicadamente o queixo,
socou a mesa.

Rodrigo Madeira



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Impressionante desabafo de um cidadão cuja mãe supostamente faleceu após ser mal atendida por uma empresa particular de emergências médicas. R. Brasílio Itiberê/ Curitiba.

À procura da Saudade Uterina


Há um resumo das fases evolutivas
Na solidão da experiência uterina.
Da bactéria ao mamífero
cada espécie sabe suas alterações fisiológicas.
Aos acidentes, ecológicos, alimentares
e atmosféricos bem sucedidos, sobrevivemos.
Incrustados no endométrio
multiplicando células
movemo-nos sem esforço
para explorar o pequeno mundo
que protege e isola de outros mundos.


Acrescentando-se às lembranças ancestrais gravadas,
a placenta permite cheiros, gostos,
perfumes, nicotina, medicamentos.
Sons maternos, ritmo e melodia
embalam a inconsciência do tempo.
Sem filtrar sensações e vibrações barulhentas.
Como reflexo desse patrimônio genético,
por instantes procuramos sem perceber
por aconchego, carinho,
conforto e proteção.

Fechamos os olhos
para sentir cheiros e gostos;
formas e texturas;
penumbra e toque;
pele e maciez
que nos afaste da solidão terrena.

Deisi Perin

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Zona portuária da cidade do Rio de Janeiro.
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A criança de pernas vesgas

Ao longe, e se aproximando, escutava-se um metal ferindo o chão de madeira numa cadência de passos inseguros.

Quem estava vindo era uma criança de pernas adornadas com um aparelho que parecia ter sido resgatado da Idade Média e que prometia endireitar aquelas pernas vesgas.

A criança tinha, talvez, cinco ou seis anos, e caminhava por uma sala de jantar infinita.

Nela havia uma mesa azul faminta, com panelas vazias e pratos vorazes por uma colherada de comida.

Na amplidão daquela sala, que tocava o horizonte, a criança sentia que não estava só, que havia mais alguém ali. Mas a criança, míope, via apenas olhares, e os olhares não tinham face... apenas olhares!



Felipe Alberti

domingo, 20 de janeiro de 2013




verso à-toa

berrar algo
que lembre o assovio colorido
de flores no vento

inventar a estridente tentação
de ouvir rock
em corredores de convento

Anisio Garcez Homem  jan/2013