domingo, 28 de junho de 2009

descarto de cara
de vez
este poema
que mal ainda
se fez
mas sei que
já declara
minha insensatez
meu medo
minha embriaguez
quero uma palavra
forte
que direcione
meu norte
não quero firulas
que só externam
loucuras
amarguras
quero a lucidez
quero a minha
cura

Claudio Bettega
tubo

Dia de Santo Antonio

Escrevo, escrevo mesmo,
por falta de um amor que me faça.
Não importa como seja,
minha caneta sempre foge da página.
Para quem tem coração de papel
o amor é traça.

Juliano Grus, 14/06/2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sina ou privilégio?

Não ouse, que não sou tua

Essa aura de serenidade
protege fêmea arisca
sob o signo da lua

Olha, sem tocar-me
a pele com teu ardor

Minha natureza repele
quem me devassa
só porque ando nua


Iriene Borges

sábado, 30 de maio de 2009


grafitte de Rimon para o filme Balada da Cruz Machado

sexta-feira, 29 de maio de 2009

domingo, 24 de maio de 2009

Quimera

"What's in a name? That which we call a rose By any other name would smell as sweet."
Romeo and Juliet (II, ii, 1-2)↓


Guardo tudo em arquivos ilógicos e anárquicos que nem eu mesma entendo. Estranhas conexões, símbolos absurdos. Guardei você, sua imagem, sob um desses ícones multicoloridos.

Outro nome, outras cores, mas é você.

Sabe como funciona: “Que há num nome? Aquilo que chamamos rosa com qualquer outro nome seria igualmente doce”.

Janelas ↔nuvens↔espelhos↔sonhos↔olhos tristes↔Kamikazes de papel!

Coleciono palavras e gosto de dançar com elas, me esconder debaixo delas. Você brincando distraído e rápido as decodifica. Devo ser fácil e óbvia demais.

Sorriso→sorvete→tarde→música→notas erradas!

Palavras e imagens caem sobre mim em largas e pesadas gotas.

Janelas→nuvens→espelhos→sonhos→olhos tristes→Kamikazes de papel!

Tudo fica absurdamente importante quando nada é tudo que se tem.

Sorriso→sorvete→tarde→música→notas erradas!↓

↓ Sorriso→sorvete→tarde→música→notas erradas!

O menino sorri e me pede a caneta, ele precisa que eu lhe desenhe os olhos do homem-aranha, a adolescente resmunga e eu sorrio.

Janelas→nuvens→espelhos→sonhos→olhos tristes→Kamikazes de papel!

Seu sorriso surge na tela da memória, bem ali ao alcance da mão, ao alcance do beijo. Está bem ali transfigurado em símbolo de algo bom. É meu agora e eu gosto dele, mas e daí?Nada? Tudo? E daí? Ainda preciso desenhar os olhos do homem aranha e ou vir alguns resmungos importantíssimos.

Sorriso→sorvete→tarde→música→notas erradas!

Guardei você também, sorrisos e palavras, mas vamos combinar assim: Você não me decifra e eu não te devoro.

Janelas→nuvens→espelhos→sonhos→olhos tristes→Kamikazes de papel!↓

Rosa Cardoso

sábado, 23 de maio de 2009


Palácio das Telecomunicações Presidente Arthur da Costa e Silva

terça-feira, 19 de maio de 2009

Balada da Cruz Machado
Um filme de Terence Keller sobre poema de Rodrigo Madeira
Estréia nesta sexta, dia 22 de maio, às 20:00 horas, na Cinemateca

Refletindo Silêncio

Para longe de mim

Equilibrando-me
sobre o fio esticado
entre sonho e juízo
prestes a estatelar-me
na rudeza dos fatos,
prestes a alçar vôo
rumo a pouso impreciso

Para longe de mim

A ressonância da tua voz
provoca tremores
muda o curso da libido
no murmúrio raso
do discurso fluido
que escorre
para minhas profundezas

Para longe de mim

Que a figura debruçada
na janela irreal
seja a imagem colhida
pela menina em meus olhos
a ostentar indiferença

Estrela longínqua
refletindo silêncio
no mar

Iriene Borges

domingo, 17 de maio de 2009

sábado, 16 de maio de 2009


Em minha cama vazia
escondo os olhos quase fechados
remelentos de vírus
com pedaços de lenços escarrados
e falta de fome de vida.

Meus poros vertem suor de febre
nem suína, nem galinácea,
apenas a de sempre.
Espirro humano que me tira do prumo,
vertigens e dores nos neurônios.

E tosse...tusso... cof...cof...

Deisi Perin

domingo, 10 de maio de 2009

Lua negra

O grito torna palpável a solidão.

A estrada atada à linha fugidia,
o topo surdo da montanha
ou um nicho no granito
não ratificam tanto o ser só
quanto gritar na multidão.

O grito é faísca
de massa cinzenta em combustão,
imperceptível na tensa claridade.

O grito é rito
de intriga e desintegração
a riscar e trincar o obscuro.

Se a poesia lambe a face iluminada
o grito tange a lua negra,
sem arrecadar simpatia.

E sabe a censura da razão
e a ovação da boemia etilizada.

Seu palco é a rua,
o relento,
entre a bênção das estrelas
e o irromper dos ratos nos bueiros,
onde qualquer cadela vadia
cuida ensinar-me amar à lua

Iriene Borges

Que seja

Está bem: que termine, que termine!
Se tem que ser assim... Enfim: que seja!

Que não mais o meu verso te ilumine
e nem tua magia me proteja
das coisas que não temo e em que não creio.
E os beijos de hortelã e de cereja
que trocaríamos noutra realidade,
que fiquem para sempre relegados
ao território das impossibilidades.

Não sou de ter saudades do passado,
mas do futuro, sim, terei saudade.

Betty Vidigal

sábado, 9 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Probabilidade


depois do jogo acabado
é difícil driblar o silêncio


BATISTA DE PILAR

in: A Nona Cartada

esta rua não é a mário quintana, mas a

Av 7 de setembro - Curitiba

Esta rua não devia se chamar Mário Quintana


Não gosto do sabor insosso
das linhas retas.
Um poeta não devia nomear
uma rua reta.
A rua Mário Quintana não devia ser reta,
devia ter joelhos,
dobrar esquinas,
passar por um barbeiro e livrarias,
por uma árvore centenária,
por um bar,
cruzar uma praça,
desorganizar o retilíneo das homenagens.
Uma rota de pássaros migratórios, sim
poderia se chamar Mário Quintana.


SOLIVAN BRUGNARA

in: Encantador de Serpentes

segunda-feira, 4 de maio de 2009

sábado, 2 de maio de 2009

O excesso do real num jogo ótico de luz e sombra

Um cavalo corre no campo cerebral de Muybridge
que captura suas articulações
por não aguentar a efemeridade do seu galope
congelando o movimento primórdio do animal
tecno-cientificamente classificado
como um eqüino imortalizado

Muybridge
a fim de descobrir a lógica no místico
eternizou o fascínio na luz da razão
a mesma razão que o enganou
quando apertou o gatilho da espingarda
contra o amante de sua mulher

como se além de ter capturado o corpo físico
tivesse guardado também
o instinto do objeto fotografado
cuja natureza era demasiado forte
para o seu intelecto visionário
de homem duplamente traído.

Camila Vardarac

http://vaga-lumens.blogspot.com/

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Acode-me a náusea

Abrupta transmutação
e quase me desperdiço
bálsamo sobre tua chaga

Nenhuma redenção emerge
do ímpeto que me traga

Rememoro teus pecados
Num rosário de espinhos

e perfumes


Mas a lucidez agride
cada sonho que elaboro

Acode -me a náusea

Transeunte permeável aos pruridos da miséria
cuja humanidade desvanece após um lapso
de profunda mortificação

Eu passo

Iriene Borges

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Não! Você não chegaria a essa conclusão sozinha...

Rompe-se
o rosário da certeza
e as contas,
espalhadas pelo assoalho,
resvalam,
no silêncio interrompido.

Quem diria
que seria você
a assassinar a Beleza,
Nick Cave de saias,
[usando]
palavras como alfaias,
de parco valor embutido.

Ricardo Pozzo

domingo, 26 de abril de 2009

Cai o pano

Eu devia engolir a fala
do modo que engulo o choro
e o retenho com um nó na garganta
e outras linhas emaranhadas

Mas a palavra me desata, me destorce
Faca afiada me destrincha expondo trapos
desfia o alinhavo
da figura adquirida em banca de retalhos
mostra-me em cada laivo a artesania
dos adereços de rebotalhos

A isso que sou

boneca de sonho

títere do som

não cabe reter a palavra que resvala

Iriene Borges

Maioridade

Não te queria, minha poesia
exposta a olhos e dentes
salivas e tesões
São minhas as tripas
que espalhas no morgue
pelos balcões

São minhas as dores
que te afligem
donzelinha meretriz
angores de mãe de noiva
temores de mãe de virgem
pudores de mãe de miss

Enfim,
bate - me a porta
na cara do peito
Ganhas a rua
Despudorada
louca e bela

Furtiva e nua
te espio
pela janela

Pressinto
a madrugada
de te esperar
No escuro
Calada

Etel Frota

Ao escrever o Poema

é preciso derrubar a muralha de sombra
convertê-la em blues no poente
tecer um tapete de arbustos
ou um abismo distraído que caia em si mesmo

é preciso ser ávido
aos relâmpagos pintados a lápis azul
ser tufão em tarefas no céu
ser final no começo do brilho

é preciso sair do vitral
igual santo e anjo em ressurreição
ser ressonância de estrela

é preciso mas não tão necessário
tudo isto ou muito disto
ao escrever o poema

Everton Freitag

quinta-feira, 23 de abril de 2009

MON

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Depois do meu sono de desejos você vem, com essas palavras mansas de perversão. Giro feito espiral na cama, num fluxo inesperado, e é como se um pedaço inalcançável de mim se lançasse contra o teto; aquele lugar secreto da alma, inabitado até pelos meus sussurros. Venho falar inacabada, desmanchada, como um copo de papel imerso na água, e quando você vier de novo, estarei assim, é como um ciclo de sofreguidões sem dor alguma. Tento falar além dos olhos, além da incontrolável mudez; dou a volta em milhões de arranha-céus com a vontade disforme de que, finalmente, você esteja parada em cima de um deles... mas não, tudo o que circula espessamente entre nós é poesia. Não enxergo algo invariável e tênue, apesar do tudo ser de um espesso comprimido que se torna fino, leve, suave. Sou sempre no sonho reagindo através do sonho, agindo mediante permissão alguma, numa realidade de sentidos que só precisa dessa, – onde transbordo pulmões de fumaça – para respirar.

E depois do sono, a letargia de estar acordada, dos prazeres sóbrios: a desvantagem de tentar descrever o que se vive de olhos entreabertos, o calor voltando junto com o pensamento, que golpeia com golpes secos e rápidos. Gosto de sensação na boca, sempre guardo: me dá um isso atravessado no corpo inteiro, verticalmente, horizontalmente – por todos os lados – uma agonia vai crescendo, crescendo junto com a respiração... o corpo grande por dentro, uma explosão libertadora que solto pelos poros e envio na velocidade da luz, sem diluir.

j. miïav

terça-feira, 21 de abril de 2009

Calada da Noite

Ana, anã, Aninha: Seu nome, seu sentimento no mundo, seu apelido. Veio de forma descuidada, sem muita festa e comemoração pela sua existência. Cresceu sentindo-se em deslocamento constante, não fazia parte daquela trama de acontecimentos cotidianos. Fofocas, fingimentos, rancores. Questionava a inteligência humana. Seu cachorro e seu gato pareciam-lhe muito mais sábios. Sentia a vida de outra forma. Ouvir silenciosamente seu coração pulsando era mais importante que gastar a vida com picuinhas presentes na boca dos outros. Tinha ouvidos sensíveis, por isso preferia seus discos e livros ao falatório dos encontros de família. Seu passatempo era sentir o sossego da vida pela janela que apontava a madrugada. Todo sábado, duas da manhã, abria sua janela para compartilhar o nada e trocar pensamentos ao lado de sua gata de olhos amarelados. Gostava do cheiro da rua deserta, dos automóveis ausentes e da vida passando sem pressa.

E foi numa noite sem luar que Ana viu tudo. Naquele dia de lua apagada, presenciou uma vida ir embora pelas mãos de outra vida. Tudo ocorreu sob os quatros olhos daquela janela. Primeiro o som de passos correndo, depois a luz em foco sobre uma cabeça e um som ensurdecedor. Enquanto um corpo caía, outro corpo corria em direção oposta. Era essa a seqüência de acontecimentos que ficou registrada para sempre em sua memória. As luzes ao redor começaram a acender uma por uma, outras janelas se abriram, as vozes em murmurinho aumentavam. Ana, paralisada, sentiu um toque em seu ombro. Era o pai. “Dorme, filha, não quero que veja isto”. Tarde demais. Ana tinha visto tudo. Do início ao fim. Sabia que das duas únicas testemunhas que viram a hora exata do sangue explodir, somente uma poderia falar, contar e descrever para os homens da Lei o ocorrido. Mas Ana não acreditava na Lei dos homens e, desaninhada, foi para cama fingir que dormia, enquanto pensava, enquanto calava.

Nanci A. Kirinus (Miscelâneas em Mim)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Neo-xiitas atravessam a Interzona rompida
no continuum do espaço-tempo
vestidos com os fanáticos botões technicolor
e coturnos engraxados por Ali
quando de repente,
por uma das janelas do automóvel iraquiano,
entra um dos macacos sunitas de Maomé
que se aproveita da sesta dos neo-xiitas em movimento
para grudar chicletes nos seus botões technicolor explosivos
ao acordarem,
os neo-xiitas desesperados gritam em árabe moderno:
“fomos sabotados por um comedor de bananas pop art!”
e, ao tentarem descolar os chicletes de seus botões,
explodem
deixando no caminho o cheiro de pólvora e hortelã.

Camila Vardarac

http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=3918

sábado, 18 de abril de 2009