domingo, 18 de outubro de 2009

(...) Bem que eu tentei despistar a governanta...


porém a poesia pinup poppins veio voando de sombrinha
___e um verso jason me perseguiu até o fim da linha –
tinha uma rima ali muito na sua que também tava na minha
___feito alguma avezinha suavezinha que se avizinha
quando você já despachou o vizinho e refugou a vizinha
___só pra ler sossegado o seu jogo da amarelinha
e aí chega a sua gostosa atrás do açúcar que você nem tinha
___e então vocês passam a noite toda trocando figurinha,
lendo, anotando, interpretando e comentando
___a carta de pero vaz de caminha

Ivan Justen

ossurtado.blogspot.com/
 

sábado, 17 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Submerso...


Sem mais cansar-se...
Assim, mais adiante, digo a mim mesmo para hoje ouvir...
Enquanto árvore e sorriso de polvo, entre recifes de sonhos...
Pois o fundo se expressa onde sem mais pressa existe-se...
Nas razões sem luz, nos mundos nascidos na escuridão profunda...
Distantes do que se sabe por consciência...
Onde não se sabe, onde multidões semiológicas aproximam-se e afastam-se...
Sais de logos são partículas na fluidez do imenso...
E o movimento entorna, revolto com toda a intensidade por onde quer que exista...
E no inteiro de seu som, recortam-se pedaços de silêncio profundo...
Onde movem-se uma infinidade de céus...
As criaturas incomunicáveis em presença fazem-se todas uma...
Assim, submerso posso experimentar as imagens que se criam...
Na imensidão de instantes...
Onde em cada recorte do silêncio, em cada fragmento de silêncio está uma pintura...
Em ânimo próprio, tais fragmentos do silêncio autorecortam-se e unem-se...
Sempre de modo inusitado...
Há em cada uma de suas partes o desvio do entendimento...
E a percepção nas profundezas afóticas, se apresenta...


MOSIAH SCHAULE

terça-feira, 13 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

Pensão não, barraco!


O sr e sua aposentadoria esperam no barraco;
A noiva abre o zíper.
Chove lá fora, alaga ainda mais.
Tem barro, limo, sujo.
As mães não dão mais banho aos sábados nos piás;
Jogam o lixo o cachorro Uóchitom Buxi boiando com a barriga inchada.
A noiva fecha o zíper,
Sai do barraco,
Na poça reflete a porta do carro abre.
Abre o zíper:
A noiva cospe,
Corre de manhã pra casa do piá tem cherinho e as pedras que ela quer.
Bate cinza na lata furada,
Os homens da noite que acaba viram fumaça,
O chão do quarto é seu espaço.
O fantasma Chico admira a noiva da janela a lata vai além:
Pousa no Belém.


RODRIGO CECCON

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Plágio


A campainha barulhenta tocou. Odiava quando a campainha barulhenta tocava. Aliás, devia estar velha mesmo: odiava qualquer coisa que não fosse boa música ou bom filme, ultimamente. A campainha barulhenta tocou de novo. Vestiu uma camiseta e foi atender.
– Oi.
– Oi.
– Oi.
– Eu estava com saudades.
– Eu estava dormindo. Entra e fecha e porta.
Beija. Com sono, com pressa, sem vontade. Ele ainda fala:
– Passei pela loja ontem e vi um disco do My Bloody Valentine. Lembrei de você, mas, tava caro. Um dia eu compro pra nós.
– Cadê a merda dos meus cigarros?
– Aqui.
Acende, coloca uma música para tocar.
– Hey, você comprou o disco dos Smiths?
– Comprei. Surtos consumistas. Odeio consumismo.
– Me beija.
– Eu estou fumando agora. Espera.
– Eu não ligo.
– Eu não quero.
Algum tempo e o silêncio. Ele não consegue suportar:
– Terminou o livro?
Cinzeiro em uma mão, começou a arrumar as coisas no lugar.
– Não, dormi. Acho que vou ao médico, semana que vem.
– Está sentindo alguma coisa?
– Sono. Odeio sentir sono.
– Todo mundo sente sono, não precisa ir ao médico. Está sentindo mais alguma coisa?
– Não. Vou ao médico, odeio sentir sono.
– Devem ser esses seus remédios...
– Eu não vivo sem eles. Quero outro para não sentir sono. Tem remédio pra tudo hoje em dia.
– Tem Buscopan.
– Assistiu ao filme ontem?
– Sim.
– Ok. Não conheço mais ninguém que nunca tenha visto Fellini.
– Não exagera.
Colocou vodka pela metade num copo de estrelinhas. Terminou o cigarro.
– Quer?
– Quero. Eu gosto de você.
– Eu sou insuportável.
– É. Mas, eu gosto de você.
Sentou no mesmo sofá que ele estava sentado.
– Eu sou insuportável e tenho sono.
– Cala a boca.
Ele a beijou. Ele sorriu. Ficaram abraçados por alguns instantes. Tonta, levantou para fazer café.
– Quer café?
– Não. Eu queria você.
– Clichês agora?
– Pra te fazer sorrir.
– Odeio clichês.
Ela levantou e foi até a cozinha. Estava incomodada, olhava para a água fervendo no micro-ondas. Café solúvel, leite desnatado, adoçante. Voltam para o mesmo sofá. Ele a beija. Ela o beija. Daqueles beijos devagar, mordendo os lábios, com os olhos abertos para poder olhar. Deitam-se no chão. Ele tenta beijá-la. Ela olha para o teto.
– Não vivo mais sem micro-ondas.
Ele continua beijando.
– Eu tive um sonho engraçado essa noite.
Ele continua beijando.
– Pára.
– Desculpa.
– Eu tive um sonho engraçado essa noite.
– Você não dormiu à noite.
– Modo de falar.
– Você estava com alguém ontem?
– E se estivesse?
Ele sorri:
– Eu não iria embora.
– Eu não faria isso.
Mentira. Tinha problemas com relacionamentos: não conseguia ficar com ninguém porque alguém melhor podia aparecer.
– Com o que você sonhou?
– Coisas estúpidas.
– Não vai contar?
– Não.
– Por que começou então?
– Não comecei. Odeio contar sonhos. Preciso dormir.
– Posso dormir com você?
– Não sei.
Mais tempo e mais silêncio.
– Ok, fica. Mas, eu preciso dormir.
Deitam, ele a abraça. Ela sorri e fala:
– Ok. Eu gosto de você.
Ele sorri.


LETICIA FONTANELLA

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ibiscos

Ibiscos
Entre raízes, caules e folhas me perdi,
na fotossíntese entendi
sobre flores e inflorescências aromatizadas
polinização fertilizada
frutos carnosos
frutos secos
germinação e reprodução
plantas de deserto
plantas aquáticas
carnívoras, epífitas e parasitas.
__ Esse pedúnculo vem sempre aqui?
Estigma de aluno aéreo.
__ Você está com o estame de fora!
Zero em biologia
Já pra secretaria
Nem te ligo
Floema e xilema funcionam bem...

Deisi Perin

domingo, 4 de outubro de 2009

Dicas Culturais Pó&teias

Amigos,


mando o link do Karaoke Coral na Gazeta: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/sobretudo/
se puderem comentem no blog sobretudo, quem sabe não ganhamos uma matéria no dia 07?


Beijos e espero vcs la!



Celeste Fernandez
www.karaokecoral.com

sábado, 3 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Mais uma noite sem sono

É estranho estar acordado na escuridão. É como estar consciente sem saber do quê. A lâmpada fluorescente é como se fosse a lua, e o interruptor a primeira estrela no céu. Dizem que, quando vemos uma estrela no céu, às vezes ela não está lá. É que ela fica tão longe, mas tão longe, que a luz leva alguns milhares de anos pra chegar aqui. Se todas as pessoas, quando ficassem deprimidas, pensassem que as estrelas podem nos pregar esta peça, talvez deixassem escapar um sorriso, nem que fosse o riso frio dos que riem só pra mostrar que entenderam o raciocínio, mas ririam assim pra si mesmas, como quem raciocina sozinho, ao ler um texto, por exemplo. Ler um texto é sempre muito solitário, sobretudo quando se vê, pelo reflexo da janela no seu monitor, que constroem muros do outro lado da rua. Mas, cá entre nós, que sabem eles das estrelas? É uma questão de lembrar que uma estrela existe, mesmo que esteja bem longe, e que ela pode brilhar, mesmo que não exista. Sim, porque as estrelas têm o humor que só os suicidas sabem ter, os suicidas que deixam sobre a mesa apenas um bilhete engordurado dizendo "fui", talvez "adeus" e quem sabe até "I love you, I love you, I love you". E o leitor que não ria: sofresse da insônia que eu sofro, também transformaria seu quarto num planetário, onde há apenas a lua e uma estrela, que não existe. Mesmo que descobrisse depois, num artigo de Astronomia, que era tudo mentira. Afinal, que sabem os astrônomos das estrelas? Talvez eu ainda possa contar esta história num desses muitos momentos da vida em que nos falta assunto. Quero dizer, não quando se está conversando e a conversa esfria, digo quando nos falta assunto a nós mesmos, quando se está sozinho no escuro, às três da manhã, e não há mais nada pra pensar. O telefone está cortado, ninguém irá ligar e dizer: "eu sabia que você estava acordado, eu também estava..." Não, o telefone já não pode inspirar mais esperança que uma lâmpada fluorescente. Logo mais, às quatro horas, o jornaleiro virá de moto e eu ouvirei o som do jornal caindo no chão, e o barulho da moto irá diminuindo, diminuindo, até sumir. E eu finalmente fecharei os olhos, devagar, e pegarei carona com o jornaleiro. E iremos, então, até o infinito.

Otávio Luiz Kajevski Junior

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

Labirinto del Fauno

Horóscopo Pó & Teias

by Oscar Eca

Áries 21 marsso / 20 abriu

Nada deve obstuir uma união. Una-se. Não obstrua. Una-se, mesmo que para isso você deva desobstruir o nariz. Una-se. Reúna-se. Não obstrua ‘-se’.

Touro 21 abriu / 20 maiôs

Faça, e arrependa-se se for necessário. Não se arrependa por não fazer. Una-se.

Gêmeos 21 maiôs / 20 junyo

Agora é importante observar a natureza. Se esfriar, touca e cachecol. Se chover, guarda-chuva. Não separe. Una-se!

Câncer 21 junyo / 21 julyo

Idem ao anterior.

Leão 22 julyo / à gosto

Urre, urre à gosto... e depois limpe-se e una-se.

Virgem 23 à gosto / 22 septembro

Vai ficar pra titia... Olhe lá! Mais do que nunca una-se.

Libra 23 septembro / 22 oi tubro

Signo maravilhoso, o de Best. Com astros em ascendência à estrelas e aos artistas em conexão global.

Escorpião 23 oi tubro / 21 noi vembro

Caranguejo, tudo igual. Não seja agressivo, nem ande para trás. E una-se.

Sagitário 21 noi vembro / 21 10zembro

Largue mão de ser otário! E una-se.

Capricórnio 22 10zembro / 20 januários

Este é o momento de reconhecer verdades profundas. Deixe de ser corno. Desuna-se, depois una-se.

Aquário 21 januários / 18 februacas

Um relacionamento entre você e peixes pode ser duradouro. Ou não... Una-se.

Peixes 19 februacas / 20 marsso

Idem ao anterior.


O céu de anil de hoje, é propício a perda de tempo e amigos, mas pode-se manter um bom humor.

Deisi Perin

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A gota

Desposara a esperança,
e agora viúva,
lembrava o tempo
de infância,
brincando na chuva.

Descalça, com demônios fala.
Sabe que não se dissolve
em água
quem a cotidiana
aridez humana
fez reter tanta mágoa.

Perdera de vez,
sob intransigente rudez,
sua inexprimível doçura.

Ricardo Pozzo

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

três inscrições para uma noite

1.
aramos nossos corpos
hasteamos a carne
naufragamos os ossos
afiamos a pele

jardinamos os pelos
vozeamos as unhas
rasuramos os lábios
semeamos os dentes

desfazemos em tempo
os nós de cada dedo
elastecemos os

tornozelos acróbatas
abrimos as gavetas
dos olhos e cabelos.

2.
quando eu a vejo,
esparramada
na cama, rama
de musgo e líquen,

de perfil – por
trás de seu ombro –,
também por dentro
de suas coxas,

desejo entrar
na eternidade,
mesmo sabendo

que a faz tão bela
exatamente
o fim das coisas.

3.
você paloma
se esbate cega
em minha pele,
luta e lençol.

lhe oferto um cravo
e nada mais.
nós morreremos?
meu endereço

é a minha carne.
mordemos drágeas
dos amanhãs

ou cianureto.
acordo, no(u)
mau hálito de amanhecer

(e foda-se o soneto), com
um soco de perfume.

Rodrigo Madeira

Merceses Sosa

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dez objedísticos pessoais para o próximo ano

Escrever menos & ler menos ainda, falar nunca;
Abrir um negócio, uma casa de espelhos, um espelhunca;
Ao menos tentar discordar de Focault, Nietzsche & Schopenhauer;
Aliviar nas temáticas sem no entanto incorrer no Flower Power;
Ir mais ao teatro, não ir menos ao cinema & reciclar relógios;
Ser menos territorialista, dividindo meu espaço em episódios;
Fumar só depois de comer & comer com mais freqüência;
Parar com as aventuras & tentar suicídios com mais prudência;
Não permitir que a cor me distraia da profundidade em Van Gogh;
Urgente reler Clarice Lispector, reouvir Dylan & rever Herzog;
Ganhar dinheiro, nem que para isso seja necessário trabalhar;
Jogar muito xadrez, adotar um gato preto & não pensar em viajar;
Fotografar mais em P&B para enxergar mais em mais cores;
Afastar-me daqueles que costumam se aproximar de escritores;
Chorar menos, exceção aos Bergmans, que confirmam a regra;
Não me deprimir mais diante de tudo aquilo que normalmente alegra;
Nunca perdoar, nunca capitular mas sempre que possível esquecer;
Beber água & dormir, para dar uma variada ou mesmo sobreviver;
Legar à posteridade pelo menos uma dúzia de nus frontais;
Amar mais através do sexo do que trepar amando demais.

Davi Araújohttp://naofiquesao.blogspot.com/
http://transatraves.blogspot.com.br/

sábado, 19 de setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

sábado, 12 de setembro de 2009

Para chamar a atenção

Não sei se foi para chamar a atenção
você com uma margarida de plástico
com aquele enorme olho amarelo
chapado com a cabeça caida para
o lado.

Não sei se foi para chamar a atenção
um zippo sem gás, com a pedra gasta
uma triste metáfora de algo que já
não é mais,
tipo uma panela vazia em fogo baixo.

Não sei se foi para chamar a atenção
você esqueceu de roer as unhas
e de contar moedas de cinco centavos
na iminência de dividir a conta
em duas partes exatamente iguais.

Não sei se foi para chamar a atenção
mas você deixou largada na cadeira
a sua bolsa
com uma foto 3 x 4 minha
no fundo falso da carteira.

Alexandre França

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Chocolate

Entre terras de balas
encontra-se um pequeno doce
diferente dos outros
feliz para si
pequeno aos outros
grande aos fracos
exclusões por diferenças
seus ombros açúcar
entre a cana amarelada de cimento
sofre vive
em grandes embalagens
sujas e destruídas
viva-se o amargo
do doce
que não é mais doce
do amargo dos cantos
dos cantos da língua

Abner Paessens

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Guerra Secundária

o hoje
saliva a mesma fome
azul na veia do olho vermelho.

luto de poesia branco,
posto que ela ainda é luz
e arma dura de sombras
além,das pálpebras ao pó.


(bem antes do dia d sair,
a cor do homem partiu. à francesa.)



[inspírado em frase feiticeira curitibenta (lê-se "de Iriene")]


Cel Bentin

de colunas quebradas e galinhas mortas

Detrás do poliedro dos seus espelhos, ela possui
fortalezas, truques, rios com répteis, rampas
e inefáveis labirintos nunca vistos por quem só lê.
Cronwell Jara Jiménez

palavras em marcha
pelos pastos do papel
trotando tristes trotando
em rebanhos de versos
tão divertidos
como a gramática das vacas
balançando suas pesadas tetas sem nata
e vísceras sem
ponta nem pata
: palavrastrastes
parindo
no escuro claro
partindo-se
em moléculas de cloro
no cerúleo amaro promontório azul
: nas costas da palavra
estão as costas da verdade
ilógica, ilícita
paralítica,
[ estridentemedula ]
ela é a pedra oculta
que transforma crânios
em conchas de sangue e
vértebras em arrebol
[ que até o sol para ela se aleija
em quentes quebradas nervuras
em cruz
colinas
colunas
rodando cadeiras-de-roda
rodando
os eternos espasmos da palavra carne
[ muda
como a nossa mão
[ incomunicável
como a nossa mãe
em silêncio porque naufraga
em palavras de mãe
em silêncio porque nada
em palavras
demais
enquanto tece os no-
velos da pele do próprio filho
nas letras que desfia :
t e t r a p l e g i a o que seria?
senha-medo-sanha-medo-sonha
ria
se houvesse cama
se houvesse como
acabar com o silêncio
ou regenerá-lo na quinta cervical
ou degenerá-lo na morfina
e escalar a boca
como quem cala uma montanha,
às vezes vale mais a pena
não ter pena
ou depenar a dor
para depois devorá-la à cabidela
como um saturno de Goya,
um pequi de Goyaz,
uma pequena de paquete num puteiro de Ponta Grossa
[ ou uma galinha choca
espancada chutada prensada no arame
até a morte farpada por um infante imberbe
que não entende de galinhas
que não entende de sintaxes, concordâncias, morte
[ mas que sabe ler a sorte
pelos pêlos das mãos
entre coxas, peitos, asas, comê-las
no óleo quente com alho,
pintinho emplumado
nos braços quentes da família,
esse familiar bulício da bóia posta à mesa
sem luto, sem deus nem enigmas,
sem falar do falo
do galo
que se esfola
entre um e outro milho
como a gente esfolava
esmerilhando reverenciando gozando
priapismos da matéria,
a vida em seus contorcionismos é palavra
a fome em sua catequese acéfala é palavra
o sexo em seus rituais ascéticos é
a mais sublime entre as mais triviais manias humanas
quando de novo se abate sobre o ovo
aquela velha paralisia do espírito
e o sol reflete-se apenas
em distantes solipsismos
já sem mergulhos profundos
já sem crianças nem galinhas
já sem famílias, falácias de falos, calos na mão ou línguas em riste,
só um silêncio murcho que incide
no vazio que vaza
por todos os poros
da palavra.

Marcelo Reis de Mello

http://cozinhapoesia.blogspot.com/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Informe Cultural

Olá... gente,

segue um link de um blog, onde o poeta Altair Oliveira
começou uma coluna nesta semana...

Vida longa, Altair

http://www.contemporartes-contemporaneos.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Campina do Siqueira

Poema XIX

Tribos bestiais versus
conservadores primitivistas
da grande mentira.

Como reproduzir ancestrais
lutando na relva selvagem
do que um dia chamar-se-a
pátria?

Palavras arremessadas
contra uma parede
de ouvidos cativos;
escritas em páginas
impróprias
para o mundo cristão.

Ricardo Pozzo
HOJE
EU ACORDEI
MAL HUMORADO.

TIREI
SARRO
DOS CACHORROS.

LEMBREI
QUE TINHA
PASSADO.

Anderson Carlos Maciel

sábado, 5 de setembro de 2009

QUE LINDO
TIVE MEDO
DE ESCREVER

NOTEI DUAS VEZES
QUE ESTAVA
SOLITÁRIO

NO ARMARIO
JOGUEI
A CHAVE FORA...

Anderson Carlos Maciel

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Esperança

Vida cartilaginosa
Escura
Iluminada
Triste

Feliz
Querida
Vagabunda
Porque desprezar o inevitável ?
O único
Aproveite enquanto é vivo
Porque curta a morte não é
Mas curta mesmo a esperança
esperança do ser
esperança do viver

Abner Paessens
Solar do Barão - Curitiba

Poesia Emaranhada

Escrita em cima de uma teia de aranha...
ideais roxos, verdes ou castanhos...
Vozes, letras e sonhos...
em diferentes mentes, sentidos e dores...
artifício civilizado, para sermos um grupo...
hermético por falta de limites...
infinito por paredes neutras...

Deisi Perin

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Palacete dos Leões

Veredicto

Tua presença não porporciona inspiração
Apenas doce agonia e noites de insônia
estupor de dúvida e certeza errônea
medo expansivo e alma febril em retração

Sequer despertas a verdadeira paixão
Só incitas a voracidade dos sentidos
suscitas desejos antes não consentidos
inventa uns impulsos que calco ao não

Nenhuma instância do meu conhecimento
te acompanha, te elege ou te reverencia
És hausto de vontade que ao passar inebria

E tua constância nas abas do pensamento
não configura oferenda ou alusão à poesia
És comburente nas labaredas da fantasia

Iriene Borges