quinta-feira, 30 de julho de 2009

Contraponto

Pensei que a vida continuasse
como as nuvens
e a independência da lua,
extrato contínuo sem fim
espaço de homens e ossos
onde começa a cancela.


Descontínuo,
o instante poreja
das terras:
pegadas,
o tempo não desperta
continua
entre pegadas
e pés,
a arcada de paragens,
o espanto me acalma.
Continuo
por memórias anagramáticas
do futuro.

Tullio Stefano

quarta-feira, 29 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Carnaval de Curitiba

Dois Gols (parte 1)

Fazia tempo que eu não jogava, achei que iria dar vexame, furei logo na primeira bola. Nem me abalei, sempre fui ruim mesmo, posso fazer meu máximo que nunca serei nem ao menos um jogador mediano, então relaxei e... fiz dois gols.
O primeiro foi bem bonito, driblei dois zagueiros e o goleiro antes de empurrar para a rede de canhota. Foi bonito pois não sei driblar e sou destro, a jogada aconteceu meio que por mágica. O segundo gol foi de oportunismo e também de perna esquerda. Entrei em êxtase. Por momentos pensei em Ronaldo como um igual. O poder da adrenalina do futebol.
Em casa, falei pra patroa: - Fiz dois gols. “Parabéns”, ela disse, e me beijou satisfeita. Dias antes ela viu a expressão de felicidade dum reserva que fez o gol da vitória na Seleção. Percebeu que era um prazer próximo ao orgasmo, só que muito mais difícil.
Fiquei pensando nos gols, relembrei cada milésimo de segundo, todas as decisões que tomei quando a bola estava nos meus pés, os problemas em superar os zagueiros, a necessidade de transpor a barreira do goleiro. A mágica funcionou e cumpri meu objetivo de maneira sensacional (às favas com a modéstia). Eu estava relaxado, acreditava em mim e o risco de errar não me importava. Seria isso uma fórmula de sucesso?

Giovani Iemini
Carnaval de Curitiba

Dois Gols (parte 2)

Meus amigos me felicitaram pelos gols no boteco depois da pelada (o verdadeiro motivo do futebol), fiquei bem agradecido e um tanto inflado. Antes de pisar no campo mais uma vez, pensei na responsabilidade em jogar bem novamente nesta volta aos gramados. Ponderei e percebi que minha responsabilidade era nenhuma, tudo o que eu queria era relaxar e me divertir. Então fiz dois gols outra vez.
O primeiro, bem bonito, parecido com o do jogo anterior. Nosso time ganhou quatro partidas seguidas, um recorde. Fui direto para o banheiro: chuveirada e bar. Queria beber mais felicidade.
Pequenas coisas representam tudo no final das contas. Por que dois golzinhos me deixaram tão feliz? Acho que eles são pequenas vitórias nesse deserto de derrotas que é a vida, por isso me agarro tanto nessas coisas que agradam. É difícil alcançar a tal adrenalina de prazer que o gol injeta no sangue. É uma explosão de triunfo por toda a batalha imponderável. É só você e o infinito, mas você o dribla e vence. Fazer gol é tão bom que deveria ser obrigatório no ensino médio.

Giovani Iemini
Carnaval de Curitiba

Dois Gols (parte 3)

Ontem só fiz um! Mas foi de virada, lá onde dorme a coruja. Nem agüentei acabar toda a pelada para beber minha cerveja, tava cansado e louco para emendar um prazer seguido no outro. No fim, só lembramos mesmo daquilo que é marcante, pro bem ou pro mal.
– só fiz um. – Disse e a patroa ainda falou “parabéns” e me beijou. Ela, esperta, sabe que um é melhor que nada. E um, nessa imensidão de ausências que nos cerca, pode ser a diferença entre a satisfação e a miséria.
- é, tem razão, foi ótimo. – Falei, e guardei para mim o pensamento “e nem contei que foi um golaço”.

Giovani Iemini

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Fraqueza, Relapso ou Distração

Nas escolhas mais sombrias a mais sagaz é se perder num vão qualquer. Se entregar ao erro e se esquecer do zelo de quem navega em alto mar. Um par de belas pernas (ou de seios), um quadril de um bom tamanho ou uma boquinha competente são as melhores escolhas pra se somar ao excesso de vinho tinto que tinge os lábios sedentos por outros maiores. Na minha plena canalhice, eu vi Baco vomitar. Nada mais é casto aqui. Mesmo mandando os lençóis pra lavanderia as manchas vão ficar. Basta tingi-los. Mudar o tom. Da vida. O ritmo. Uma pausa de todo aquele esmero. E com as garrafas já vazias faço motejos escaldantes, a fim de prepará-la, para em breve ela gozar.

Wilton Isquierdo

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Fonte Maria Lata D’Água e Paço da Liberdade
et le poëte soûl engueulait l´univers.
Arthur Rimbaud

Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários á ousadia
Segredos empenhados em ti fenecem
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Imagem aérea do que não se conhece
Frascário ingênuo que se adia
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários à ousadia

Ricardo Pozzo

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Rua da Cidadania

domingo, 19 de julho de 2009

Paralelo 27


corre o boato
de que vai nevar
- não me chame -
tenho um poema
cozinhando em fogo lento
tenho um poema
quase no ponto
[em que posso
me queimar]
tenho um poema
solerte
e não o liberto
sob pena
do inverno acabar

Cosmunicando
http://cosmunicando.blogspot.com/

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pierre Lupalu
http://www.flickr.com/photos/lapalu/

Canção para o Inverno

Perdem-se palavras
no precipício
do desinteresse disfarçado
em interesse,
do escárnio disfarçado
em consternação,
da frieza disfarçada
em ebulição.

Meu amor,
qual de nós não
usou as travas de segurança?
Já quase dorme a esperança;
desperta o terror.

Ricardo Pozzo
Pintarei céus e terra...
e também o inferno,
caso seja aprovado.
Encarnarei mãos e mestres
por aqui passados.
Retumbarei vibrantes
cores e brumas.
Cintilarei o mundo
de tons e matizes.
Refrearei a vaidade
louca e solitária
dos que se sabem luz

Não!
Não acordarei jamais!
Serei polén e mármore
no infinito

Deisi Perin

terça-feira, 14 de julho de 2009

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Heróis em Dias Amenos

Temos que a vida não dói.
- Viver é tudo que temos!
Ao menos somos os heróis
Da história que nos fazemos.
E, enquanto o tempo nos rói,
Tecemos planos de engenhos...
Vamos em busca de sonhos
Usando de asas e de remos.
Galgamos sobre o passado
Buscando os dias amenos
Tememos sobre o futuro
Que nem sabemos se temos
Jogamos os nossos melhores
Tentando ganhos pequenos
Treinamos poses de heróis
Da história que nós queremos!
Enfim, nós somos assim:
Restos de tudo que fomos
Mas sempre somos heróis
Da história que nos contamos
Nos cremos por maiorais
Que, ao certo, um dia seremos
Morremos sempre no fim...
- Fingimos que não sabemos!

Altair de Oliveira
- In: O Lento Alento.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Crescente
a lágrima
a lâmina
ceifa sorrindo,
no lodo,
o lírio.

Bárbara Lia.

-A Última Chuva

sábado, 11 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Confluência Passional

Imaginem rios que se querem
e se esperem presos pelo cheiro
e se arrastem tortos pelo mundo
afagando o leito em desespero...
Imaginem rios que se gostem
e se encostem longos de desejo
e se encontrem prontos de ternura
e se misturem cada vez mais beijo
e se deixem em êxtase de espuma
troquem águas, algas, mágoas, peixes...

Altair de Oliveira
– In: O Embebedário Diverso

Jean Foucault

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Foucault em Curitiba

O poeta, editor, diretor da Associação Linhas de Escritura e Coordenador de pesquisadores da agencia universitária da "francophonie"- Jean Foucault - estará na Secretaria da Cultura com palestra sobre sua Poesia e Entorno Literário.
Jean Foucault estará integrando as comemorações do ano da França no Brasil, organizada pela Secretaria da Cultura.
A intenção é estreitar laços entre escritores franceses e brasileros e tornar mais significativa a aproximação cultural.
Na oportunidade, grupo de escritores estarão prestigiando o poeta.

Dia 22 de julho, 18:00 hs.
rua XV
a urbefágica em processo digestivo, dissolvendo máscaras cotidianas

segunda-feira, 6 de julho de 2009

LANÇAMENTO “A BRISA É VOCÊ”

Será lançado no próximo dia 10 de julho a coletânea de minicontos “A BRISA É VOCÊ”, um livro com 200 minicontos de dez autores paranaenses, publicado pela editora Araucária Cultural. O lançamento será no hall da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133 – Centro - Curitiba), às 18 horas, com a presença dos autores.

O miniconto é um gênero que surgiu na literatura latino-americana e se firmou no Brasil com Dalton Trevisan, Marina Colasanti, Marcelino Freire, João Gilberto Noll entre outros. Os dez autores de A BRISA É VOCÊ querem mostrar que aprenderam com seus mestres, e apresentam textos que vão do humor ao drama urbano, guardando sempre um efeito seja o da surpresa ou do impacto.

“Dez autores, 200 minicontos, dez estilos diferentes de narrar 200 histórias. A leitura deste livro é um passeio por uma nova paisagem literária, onde realismo e fantasia se encontram nos vislumbres do miniconto”, afirma José Marins, organizador da coletânea.

Marcelo Spalding, um dos maiores estudiosos do gênero no país, autor de dissertação de mestrado sobre minicontos, é o apresentador de “A BRISA É VOCÊ”, e diz:

“... construindo narrativas com personagens, conflitos, enredos capazes de fisgar o leitor e transformar brisa em ventania”.

E prossegue, registrando um toque de cada autor: “Abacaxi Dourado”, de Consolação Buzelin, e “Cãozinho cego”, de Regina Bostulim, são exemplares neste sentido: brisas que movem moinhos. E há várias formas de se fazer mover esse moinho, o humor de Alvaro Posselt em “Vestida”, e de Eumar Sicuro em “Admiração”, o coloquial de Luís Ronconi em “Barrado no baile”, a epístola de Rodrigo Araújo em “Apelo”, o lirismo de José Marins em “Pipa”. Trevisan, o grande mestre, em “Uma coisa”, de Daniel Zanella,a intertextualidade com “Kafka”, de Geraldo Magela, e com a Bíblia, em “Não roubarás”, de Diego Oliveira”.

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Serviço: Lançamento de A BRISA É VOCÊ coletânea de minicontos

Local: Biblioteca Pública do Paraná

Data: 10 de julho de 2009

Horário: 18 horas

Todos são convidados.

A Presença da Pedagogia Freinet no Brasil (Parte 1)

sábado, 4 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A desintegração é a ordem

Posto-me nua à janela

sem causar alvoroço


Inexistência

emparedada no cimento

sem a propulsão da dor


A ficção das asas

abandonada na cadeira

entre outros destroços


E o vazio estanque

prestes a vazar

em algum clamor


Penso, esquecida

incrustrada na moldura

de uma vida nula


Sem esboçar vigor

ou traço de candura

que sustente um verso


Iriene Borges